O orgão de tubos dos terceiros dominicanos do Porto

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Foto de António José Ferreira, 30 de Julho de 2017, Fonte: Meloteca

«Termo em que se assentou o mandar-se vender um orgão que se achava desfeito e arruinado e que o produto dele se desse a juros.

Ano do Nascimento de Nº Senhor Jesus Cristo de mil e setecentos e oitenta e sete, aos vinte e seis dias do mês de Agosto do dito ano, em Mesa plena com assistência do Reverendo Prior Tomás de Crasto Moura pelo Tesoureiro actual António Roiz de Azevedo, foi representando que um orgão que pertencia a esta Ordem e se achava ainda nas casas da Capela de N. Snrª da Batalha onde antes esta mesma Ordem residiu, se achava desfeito e arruinado e cada vez mais se iria pondo em mau estado, como já em outras Mesas tinham lembrado, porque presentemente nesta Capela e suas oficinas se não podia armar nem recolher, por isso crescia o dano que se podia remediar vendendo-se depois de avaliado por louvados inteligentes o que tudo ponderado se assentou uniformemente que se vende-se o dito orgão pelo seu justo valor, e com efeito, sendo avaliado pelos avaliadores peritos declaram que atendendo à ruína em que se achava, o avaliaram na quantia de vinte e oito mil e oitocentos, e aparecendo o Juiz da igreja da freguesia de Avintes, deu por ele dito orgão a quantia de quarenta e oito mil reis que entregou e recebeu o dito orgão que a Mesa lhe houve por vendido cuja quantia de dez moedas a Mesa a manda pôr a juros que a todo o tempo conste se mandou fazer o presente acto que todos assinarão, e eu António Gonçalo de Almeida secretário actual o escrevi e assinei.

in História documental da Ordem da Trindade, Vol, I, pag.366

Tal orgão consta como «um orgão desconcertado, e com falta de vários canudos», no inventário mandado fazer pela Rainha D. Maria I por ocasião da entrega da igreja da Ordem Terceira de São Domingos aos frades dominicanos.

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As origens do ramo leigo na Ordem dos Pregadores

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Por M-H. Vicaire OP
Tradução de Cécile Laboureur Cardoso e Maria Leonor Ameal
Edição das Fraterndiades Leigas de São Domingos, Novembro 1989
Desenho de capa de Esmeralda Calvário

Regresso às fontes da Ordem dos Pregadores e do Laicado Dominicano

vicaire01Por Padre Vicaire, OP
Tradução de Cécile Laboureur Cardoso
Edição das Fraternidades Leigas de São Domingos, Maio 1989

Livro de Actas da Ordem Terceira

ACTA Nº1

 Termo de posse

Aos seis de Setembro de 1969 reuniram-se no Santuário de Fátima, durante o Retiro Nacional da Ordem Terceira, os Irmãos Engenheiro Pedro Bello e Doutor José Ruivo da Silva da Fraternidade de Lisboa, Lia Neri Monteiro Madeira e Graziella Maria Ramalho Ortigão da Fraternidade de Cristo-Rei, Porto, Laurinda Pinto Ferreira Amado da Fraternidade de Coimbra, Alice da Glória Miranda de Morais da Fraternidade de Chaves e Manuel Pedro Santa Clara Nunes da Fraternidade de Elvas, excepto, por doença à última hora declarada, a Irmã Ilda Ventura Trindade, da Fraternidade de Castelo Branco, convocados e nomeados pelo Reverendíssimo Promotor Nacional Padre Estevão Fonseca de Faria O.P., que constituíram o primeiro Conselho Nacional da Ordem Terceira Dominicana da Província Portuguesa, nos termos do número dezanove da Regra aprovada em River Forrest, no Capítulo Geral da Ordem. Os referidos Irmãos tomaram posse. Em seguida, dando cumprimento ao determinado na nossa Regra, número dezanove, foi eleito, por unanimidade, para presidente deste Conselho Nacional o Irmão Engenheiro Pedro Bello. Para Secretária Nacional foi decidido, também por unanimidade, manter a Irmã Lia Neri Monteiro Madeira. Como primeiro acto deste Conselho Nacional, foi decidido, igualmente por unanimidade, pedir ao Capítulo Provincial, a realizar no próximo dia dezasseis de Setembro do ano corrente, e em referência aos disposto no número dezasseis-b da nossa Regra, seja mantido como Promotor Nacional o Reverendíssimo Padre Estêvão da Fonseca Faria. Não havendo mais nada a tratar, encerrou-se esta sessão.

Santuário de Fátima, 6 de Setembro de 1969

Lia Neri Monteiro Madeira

Estevão Fonseca de Faria

Fonte: Arquivo Provincial Leigo Dominicano, Porto

A Ordem Terceira, segundo Fr. Luís de Sousa

De algumas mulheres de boa, e santa vida, que por este tempo tiverão nome no habito, e profissão da terceira regra de S. Domingos

Em outra parte deixamos feita larga menção de huma irmandade, que nosso Padre s. Domingos instituio de gente secular com leis, e fim principal, para ajudar a defender também com armas materiaes o património da Igreja contra os herejes. E por isso lhe poz nome de milícia de Jesu Christo, e démos conta, como sendo honrada pelos Summos Pontificies com isenções, e privilégios;  e abraçada com fervor pela nobreza, e povo, enfim foi cessando ao passo que as heresias, que em muitos membros andavão levantadas, forão vencidas, e desarreigadas de todo. E então de Milicia de homens, se veio a converter em Ordem de molheres. E também tomou nome novo, que foi de terceira regra, ou da penitencia de S. Domingos, e com elle foi dando ao mundo muitos, e mui insignes espíritos, que a fizerão estimar, e dilatar por todas as províncias da Christandade, e seguir de muita gente de qualidade; principalmente em terras grandes, e onde havia Conventos da Ordem.  Deu-lhes regra o Reverendissimo Geral Mussio Espanhol, que foi aprovada pelos Pontifices Innocencio  VII, e Eugenio IV, e seus successores a honrarão com novas graças, e liberdades; e foi a maior, que possão gozar de todos os privilégios concedidos à Ordem, inda que vivão em casas particulares, ou morem com seus pais, e parentes.

Nos princípios não se admitião a esta Ordem mais que molheres viúvas. A primeira, que sendo donzella, a professou, foi a Serafica Catharina de Sena, com tão boa estrea, que o seu exemplo fez florescer n’ella outras muitas por toda a Christandade, assim donzellas como de outros estados, que nas historias de S. Domingos são celebradas, com titulo de santas e milagrosas, como forão Angela de San-Severino, Anna de Camerino, Daniella de Benevento, Margarita de Castello, Joanna de Civita Vechia, Elena de Pisa, Maria de Venecia, Margarida de Saboya, Marqueza de Monserrat, e irmãa de hum Duque de Saboya, Sybilina de Pavia, e outras muitas, que deixamos, por não serem de nossa obrigação. Das que nos tocão, temos dito alguma cousa em seus lugares. Agora he tempo de dizermos de outras, para acabarmos de nos desobrigar de huma promessa, que em outra parte fizemos. Já vimos que em Evora, e Elvas crescerão tanto em numero, que vierão a juntar-se em Communidade, e de Terceiras professarão a Observancia, dando principio a dous illustres Mosteiros. O mesmo veremos adiante succeder ao Recolhimento de Santa Martha de Evora, que de casa de Terceiras, he hoje o religiosissimo Mosteiro de Santa Catharina de Sena. Só em Lisboa, sendo maior o numero de molheres, que professão a ordem de Terceiras, como em terra tanto maior, nunca chegarão a compor Communidade durável; inda que algumas vezes se intentou. Como sempre erão varias em qualidades, estado, fazenda, morada, e obrigações, communicavão pouco entre si;  e não se juntavão mais, que na Igreja a ouvir sua Missas, e receber os Sacramentos com silencio, e modéstia. E esta devia ser a causa, porque não foi adiante hum Recolhimento, que segundo achámos em huma memoria authentica, foi principiado em Lisboa, fora da Porta da Cruz, pelos annos de 1520. Assim ficarão no cosatume, que hoje tem, que he juntarem-se na capella de S. Pedro Martyr; onde seu trato he só com Deos, e com seu Padre espiritual, que a Religião lhes nomea, homem de idade crescida e virtude provada. D’aqui torna cada huma para sua casa particular.

Nos tempos antigos, segundo verdadeiras tradições que temos, houve gente de muita sustancia n’este género de vida na cidade de Lisboa. Perdeo-se a memoria de seus espíritos; porque, nem então havia curiosidade para serem notados, nem os que a podião ter, fazião caso d’elles. Que se vemos em nossos passados, que erão curtos em escrever as virtudes heróicas dos varões eminentes, como nos temos queixado muitas vezes, quem os havia de obrigar a fazer livros de molheres, cuja maior estima, segundo a opinião de hum sábio, he não sair sua fama, nem ser conhecido seu nome fora dos cantos, e limites de sua casa? Contudo, não se pode negar, que he grande prova de haver entre as antigas muitas de grandes, e subidos merecimentos, alem da tradição que dura, o que sabemos de algumas, que nossos pais virão, e tratarão; cuja vida, e procedimento foi tão cheio de bênções do Ceo, que nos obrigão a fazer a historia d’ellas;

in História de S. Domingos, Terceira Parte, Cap. XVIII, Vol. II pag. 145-147, Ed. Lello & Irmão Lda, 1977, Porto

Secretariado Nacional da Ordem Terceira

O Secretariado Nacional da Ordem terceira acaba de estabelecer definitivamente a sua sede na Praça D. Afonso V – Porto.
É para esta direcção que daqui por diante devem dirigir toda a correspondência referente à Ordem Terceira, como pedidos de Manuais, emblemas, fitas, escapulários, etc., etc.
Comunicamos também a todas as Fraternidades a nova organização do Secretariado. Como a nossa Secretária Nacional pediu a demissão, por falta de saúde, foi criado, com elementos recrutados entre as duas Fraternidades do Porto, uma espécie de Conselho que colaborará e assistirá o Promotor da Ordem Terceira em tudo quanto diga respeito a este referido ramo da nossa Ordem.

Secretária – D. Lia Nieri Madeira.

Vice-Secretária – D. Esmeralda Calvário.

Tesoureira – D. Maria Augusta Pimpão.

Vice-Tesoureira – D. Maria Adriana Sampaio Pimentel.

Vogais – D. Maria de Jesus Amaral, D. Armanda Cabral Aguiar.

Pedimos a todas as Prioresas e Priores das nossas Fraternidades o favor de acatarem sempre em espírito de verdadeira obediência todas as decisões que do Secretariado Nacional emanaram.

in «O Facho», Ano VI, Junho de 1953, nº70

Fraternidade de Ansião

Decreto de erecção da Fraternidade Leiga de S. Domingos, em Fonte de Ansião, concelho de Vagos, datado de 5 de Novembro de 1953, in Arquivo Provincial Leigo