Mestre Geral Louis Theissling

Louis Theissling nasceu a 31 de Janeiro de 1856, em Alkmaar, Holanda do Norte, nos Países Baixos. Foi baptizado por um sacerdote dominicano na igreja conventual de Alkmaar e frequentou a escola dos dominicanos em Nijmegen.

Em 24 de Setembro de 1873 foi admitido na Ordem dos Dominicanos em Huizen fazendo a sua profissão solene em 1874. Após realizar os seus estudos em filosofia e teologia, foi ordenado sacerdote a 15 de Agosto de 1880. Após 5 anos de estudos, em 1885 tornou-se Leitor em Sagrada Teologia no Convento de Huizen. De 1887 a 1894 foi professor de Teologia Moral obtendo o titulo de Mestre em Sagrada Teologia. Foi eleito prior daquele Convento em 1891. Após terminar o seu mandato foi eleito prior do Convento de Nijmegen em 1894. Não chegou a terminar o seu mandato pois em 1896 foi eleito Prior Provincial o qual exerceu por 12 anos, pois foi reeleito no final do primeiro mandato. Foi o criador de um Seminário dominicano na ilha de Coraçao para a acção missionaria na Venezuela a cargo dos frades holandeses. Deu início â construção do convento de São Tomás em  Zwolle, na Holanda onde seria instalado o Studium Generate da província holandesa. Visitou o Chile, Argentina, Peru, Bolívia, e Equador no sentido de vir a estabelecer missões dominicanas naquelas paragens. Em 1907 após uma viagem a Petrogrado, na Rússia, voltou à América Central para acompanhar as actividades dos seus frades naquela zona.

Em 1908 após terminar os seus mandatos como Prior provincial foi chamado a Roma pelo Mestre Geral Cormier que o encarregou de uma série de visitas apostólicas e seu nome na Rússia, Áustria, Hungria Polónia e Dalmácia. Em 1911 como Visitador do Mestre geral percorreu todos os países da América do Sul, tornando-se em 1912 Visitador para toda a Ordem. Em 1915, após terminar o seu trabalho na Cúria foi destinado ao Convento de Amesterdão.

Mas a 3 de Agosto de 1916, recebeu um telegrama do Mestre Geral Cormier, indicando que o Capitulo Geral da Ordem, reunido em Friburgo, na Suíça o havia eleito Mestre Geral, que apenas por obediência aceitou e para aquela cidade se dirigiu onde foi entronizado como o 77º sucessor de São Domingos.

Em Fevereiro de 1917 nomeou um Vigário que o substituísse na sua ausência e partiu para a mais longa viagem jamais feita por um Mestre Geral: partiu inicialmente para Nova York, foi a Cuba, voltou aos Estados Unidos, atravessou o Canadá, partiu em direcção ao Japão a que se seguiu uma visita demorada às missões dominicanas na  China a que se seguiram as Filipinas. Atravessou novamente o oceano pacífico e chegou à Guatemala de onde partiu a visitar durante 7 meses todas as missões na América central e do sul. Finalmente dirigiu-se a Espanha e depois a Roma, após uma viagem de 18 meses.

Em 1920 foi realizado um Capitulo Geral em Caria, Espanha, e em 1921 os dominicanos instalaram-se, pela, primeira vez em 400 anos na universidade de Oxford, Inglaterra. Em 1923 por motivo da recente aprovação do novo Código de direito Canónico, o Mestre Geral publica uma nova Regra das Fraternidades Leigas de São Domingos, a primeira após a aprovação em 1406 da Regra chamada de Múnio de Zamora.  Em 1924 foi celebrado o Capitulo Geral em Roma.

Certamente extenuado, Louis Theissling veio a falecer a 2 de Maio de 1925.

 

fonte: Fr. Athanasius M. McLoughlin OP.

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Mestre Geral Andreas Frühwirth

Nasceu Franz Frühwirth em St. Anna am Aigen, na província de Steiermark, Áustria. O seu nome de família é também pronunciado como Frühwirt.

Frühwirth entrou na Ordem Dominicana a 13 de Setembro de 1863 em Graz e recebeu o nome religioso de Andreas. Professou a 14 de Setembro de 1864. Estudou filosofia e teologia. Mais tarde, estudou no Colégio São Tomás, em Roma, na futura Universidade Pontifical de São Tomás de Aquino ou Angelicum de 1869 a 1870 obtendo o titulo de Leitor.
Frühwirth foi ordenado sacerdote a 5 de Julgo de 1868 em Graz. Ensinou teologia durante 6 anos o Colégio dominicano de Graz e foi seu prior de 1872 a 1875. De 1876 a 1880 foi prior do Convento em Viena. Foi eleito Mestre Geral da Ordem a 19 de Setembro de 1881 no Capítulo Geral realizado em Lyon, terminando o seu mandato a 21 de Maio de 1904.

Em 16 de Dezembro de 1906 foi nomeado consultor da Sagrada Congregação do Santo Ofício. Em 26 de Outubro, o Papa Pio X nomeou-o Núncio Apostólico no Reino da Baviera.

Foi eleito Arcebispo titular d Heraclea na Europa pelo papa Pio X a 5 Novembro de 1907. Foi consagrado a 30 de Novembro na Igreja Nacional Alemã de Santa Maria dell’Anima em Roma, por Rafael Merry del Val, Cardeal Secretário de Estado, assistido por Diomede Panici, Arcebispo titular de Laodicea, secretário da Congregação dos Ritos e por Giuseppe Cecchini, O.P., bispo titular de Alicarnaso, Arcebispo de Altamura e Acquaviva delle Fonti.
Foi criado Cardeal pelo Papa Bento XV no Consistório de 6 de Dezembro de 1915, sendo titular da Basílica de São Cosme e São Damião. Manteve-se Núncio Apostólico na Baviera até Novembro de 1916.

Participou no Conclave de 1922 que elegeu o Papa Pio XI, que o nomeou Penitenciário Maior em 8 de Janeiro de 1925. Em 1927 foi nomeado Prefeito da Chancelaria dos Breves Apostólicos (também conhecida como Chancelaria Romana, Papal ou Apostólica), assumindo o título da Basílica de São Lourenço em Dâmaso.
Faleceu em 1933 com a idade de 87 anos.

O Cardial Pacelli, Secretário de Estado do Vaticano Terceiro de S. Domingos

marconi-pio11.jpg«Os Anais da Ordem dos Pregadores de Novembro-Dezembro últimos publicaram a notícia de que o dia 26 de Dezembro, em que a Igreja Universal comemora a festa do seu protomártir, à I da tarde, no oratório particular da sua residência, Rev.mo Mestre Geral da Ordem deu o hábito da Ordem Terceira de S. Domingos ao Eminentíssimo Cardial Eugenio Pacelli, Secretário de Estado de Sua Santidade, o qual, acto seguido, fez a sua profissão na Ordem.

O Cardial Pacelli, lê-se nos mesmos Anais, é um varão esclarecido, desde a sua juventude, verdadeiramente dominicano de coração, e acrescentam:

«Por sua grande admiração pela doutrina e santidade dos exímios doutores da Ordem, Tomás de Aquino e Alberto Magno, tomou para a sua vida dominicana o nome de ambos, querendo ficar-se chamando «Tomás-Alberto».

Escreve ainda a referida publicação que: «a esta brilhantíssima cerimónia, que fará época nos nossos anais, assistiu pessoalmente tôda a Comunidade da Curia , alegrando-se no Senhor por ter outorgado nestes tempos tanta honra à Ordem de S. Domingos».

E dizem mais que «por este motivo o Rev.mo Mestre Geral, comovido pela alegia que lhe embargava a voz, pronunciou brilhantíssima alocução apropriada às circunstâncis.»

«Terminada a cerimónia – concluem o Anais – o Eministentísimo Cadial abraçou com doce e entrnhado afecto a cada um dos religosos presentes, como já pertencendo à sua família».

Por nossa parte associamo-nos à alegria do Revº Mestre Geral e dos assistentes a esta cerimónia, congratulando-nos pelo notável acontecimento.

in «Flores de S. Domingos», Ano II, Maio de 1936

A Beatificação de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires

CONFERÊNCIA EPISCOPAL PORTUGUESA

 

Nota Pastoral

A Beatificação de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires

A graça da Beatificação do “Arcebispo Santo”

1. Dom Frei Bartolomeu dos Mártires vai ser beatificado em Roma pelo Papa João Paulo II, no dia 4 de Novembro de 2001. Motivo de alegria e louvor a Deus, este acontecimento é também para todos nós, bispos e demais fiéis da Igreja em Portugal, ocasião para reflectir sobre a nossa vocação à santidade e missão na Igreja e no mundo, à luz do exemplo de vida de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires.

A Beatificação decorre uma semana após o encerramento da X Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, tendo como tema “O Bispo servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a esperança do mundo”. Tal facto dá um significado especial à circunstância de o “Arcebispo Santo” do século XVI ser apresentado como modelo de santidade para toda a Igreja, neste início do terceiro milénio. É o mesmo caminho proposto por João Paulo II: “Em primeiro lugar, não hesito em dizer que o horizonte para que deve tender todo o caminho pastoral é a santidade. (…) É hora de propor a todos, com convicção, esta ‘medida alta’ da vida cristã ordinária: toda a vida da comunidade eclesial e das famílias cristãs deve apontar nesta direcção” (Carta Apostólica Novo Millennio Ineunte, nn. 30.31).Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, homem de fé profunda e esclarecida, de esperança inabalável e de caridade verdadeiramente heróica, cedo foi conhecido pelo Povo de Deus como o “Arcebispo Santo”. Aquando da celebração do IV centenário da morte de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, em 1990, publicámos uma Nota Pastoral sobre esta figura insigne da Igreja, que continua a interpelar-nos no sentido de compreendermos os dinamismos eclesiais e sociais de hoje. Apresentámos então alguns dados biográficos e outros elementos essenciais como marcas da sua vida, que permanecem actuais: a formação dos cristãos na fé, a formação do clero e o testemunho da caridade. E, em Novembro de 1999, reunidos em Assembleia Plenária, decidimos, por unanimidade, reiterar o apoio incondicional à causa da Beatificação do “Arcebispo Santo”, já introduzida na Congregação das Causas dos Santos, o qual foi renovado durante a visita ad Limina que se seguiu. Um bom documento biográfico e doutrinal, redigido por dois especialistas, serviu então para fundamentar o apoio dos Bispos Portugueses à causa da canonização de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires.

 

Alguns aspectos da sua vida

2. Bartolomeu do Vale, nascido em Lisboa em 1514, adoptou o nome de Bartolomeu dos Mártires por devoção a Nossa Senhora dos Mártires, em cuja paróquia foi baptizado. Professou aos 15 anos na Ordem de S. Domingos, onde recebeu sólida formação religiosa e doutrinal. Foi Mestre de Filosofia e Teologia nas escolas dominicanas de S. Domingos de Benfica, Batalha e Évora, contribuindo para a renovação dos estudos teológicos em Portugal.Nomeado Arcebispo de Braga em 1558, entregou-se inteiramente à sua missão episcopal. Chamado a participar no Concílio de Trento, as suas intervenções influenciaram a orientação do Concílio, evidenciando dotes de Pastor zeloso e humilde, vigoroso e competente. S. Carlos Borromeu considerou-o “modelo de bispos e espelho de virtudes cristãs”. Após o regresso, empenhou-se na dedicação pastoral às comunidades da diocese, formação dos ministros do Evangelho, introdução de reformas preconizadas pelo Concílio de Trento e luta pela liberdade da Igreja de Braga face às autoridades civis, entre outros aspectos.O seu livro Stimulus Pastorum sobre o ideal da missão dos pastores da Igreja foi editado numerosas vezes ao longo dos séculos. O Episcopado Português fez uma publicação, que ofereceu ao Papa Paulo VI e aos Padres Conciliares, aquando do Concílio Ecuménico Vaticano II; o mesmo sucedera no Vaticano I. Pediu a resignação do cargo de Arcebispo Primaz em 1581, pedido que foi aceite no ano seguinte. Continuou o trabalho de pregação e de formação catequética, até ao fim da sua vida terrena, em Julho de 1590, em Viana do Castelo. Desde cedo se espalhou a sua fama de santidade, sendo designado pelo povo de Braga e Viana como “O Santo”. A proclamação oficial da santidade de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires processou-se em ritmo lento. Introduzida a causa de Beatificação em 1631, o reconhecimento da heroicidade das suas virtudes só se verificou em 1845, por decreto do Papa Gregório XVI. Finalmente, após o retomar do processo nos últimos anos, um decreto de 7 de Julho do ano corrente, assinado pelo Prefeito da Congregação das Causas dos Santos, o Cardeal Dom José Saraiva Martins, e promulgado na presença do Santo Padre, aprovou o milagre atribuído à intercessão do santo prelado bracarense e abriu caminho à sua Beatificação.

 

Alguns apelos para a Igreja em Portugal

3. Neste início do terceiro milénio, em que o Papa nos convida a orientar e a programar a nossa vida à luz da santidade como ideal e meta da vida cristã, o testemunho de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires pode ajudar as Igrejas particulares e os seus cristãos a abrirem-se ao compromisso da fé na Igreja e no mundo.A sua figura, como Religioso Dominicano e Professor, como Bispo e Padre Conciliar de Trento, apresenta-se, no nosso tempo, como figura singular de verdadeiro Doutor da Igreja.O “Arcebispo Santo” é, para nós, um apelo ao aprofundamento e à formação na fé. Viveu esta com humildade evangélica, numa profunda entrega de si próprio e em perfeita coerência entre a crença e a acção do homem, do sacerdote e do Bispo. Na segurança do seu saber teológico, que adquiriu e ensinou à luz dos melhores mestres da época, assumiu sempre uma atitude de grande independência crítica. A Igreja é chamada hoje a promover a formação permanente de todos os cristãos na fé, em particular os anunciadores da Palavra. O “Arcebispo Santo” é, para nós, um apelo à espiritualidade e à santidade. O seu “Compêndio de vida espiritual” revela-se como um tratado prático, onde os cristãos de hoje podem facilmente aprender uma experiência mística, capaz de se tornar presente em cada acto do quotidiano vivido. A Igreja é chamada hoje a percorrer o caminho da santidade como um aprofundamento contínuo da relação com a pessoa de Jesus Cristo, repensando toda a sua acção pastoral à luz desse dinamismo. O “Arcebispo Santo” é, para nós, um apelo ao testemunho da caridade: esta compreendida no seu sentido etimológico de amor e traduzida numa acção social exercida pela Igreja, através das suas estruturas, dos seus pastores e dos seus fiéis. O “Arcebispo Santo”, sempre ardente na caridade de Cristo, não esquecia a dimensão social do seu múnus junto dos pobres e mais desfavorecidos. Vivendo a caridade a partir de situações concretas, numa atitude de amor e ternura de coração, tinha nos pobres, nas viúvas, nos estudantes e nos indigentes de toda a espécie os beneficiários dos seus cuidados e das suas rendas. Sendo partilha do pão, a acção sócio-caritativa torna-se uma forma de catequização, a par da pregação e do exemplo de vida que fazem parte da missão evangelizadora da Igreja. Esta é chamada hoje a mostrar claramente, pelo anúncio da Palavra, pelo testemunho do amor e do serviço e pelas opções pastorais, que está atenta a todas as pessoas, com predilecção pelos pobres, pelos marginalizados e pelos doentes.O “Arcebispo Santo” é, para nós, um apelo à renovação da Igreja, compreendida como comunhão, que se realiza na Igreja universal e nas Igrejas locais ou particulares. Fê-lo pela participação e dinamização do Concílio de Trento e pelas reformas introduzidas na sua diocese de Braga. Na visita pastoral que nos fez em Maio de 1982, o Papa apresentou-nos Frei Bartolomeu dos Mártires “como símbolo e protagonista no Concílio de Trento, rico de virtudes e de zelo apostólico”. Escolher bons Bispos e formar bons párocos devia ser tarefa prioritária na reforma da Igreja. Por isso, punha o maior cuidado na escolha dos sacerdotes e na sua formação espiritual, teológica, intelectual, pastoral e moral. Criou na sua diocese infra-estruturas eficientes para a formação adequada do clero e aplicação dos decretos conciliares. Também hoje, respondendo ao apelo de João Paulo II, “a Igreja é convidada a interrogar-se sobre a sua renovação para assumir, com novo impulso, a sua missão evangelizadora” (Novo Millennio Ineunte, n. 2).Estes apelos coincidem com os grandes problemas que a Igreja tem de enfrentar nesta fase da sua história, e contêm ensinamentos fundamentais para que se possa concretizar a nova evangelização, de que o mundo precisa com premente urgência.A proclamação da santidade de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires é oportuna e necessária para servir de estímulo e exemplo de comportamento ao mundo em mudança, e como sinal de que o Espírito Santo, alma da Igreja, não se apaga nem adormece.

 

Em oração na comunhão da Igreja

4. Somos convidados a assumir uma atitude de acção de graças e de louvor a Deus por este dom que a todos nos enriquece espiritualmente e é motivo de alegria particular para os Pastores e demais fiéis das dioceses de Portugal, nomeadamente Lisboa onde Dom Frei Bartolomeu dos Mártires nasceu, Braga onde exerceu o ministério episcopal, Viana do Castelo que recolheu os seus restos mortais, Bragança e Vila Real que também receberam o seu múnus pastoral.Somos convidados à oração, em união com estas Igrejas particulares, cujos Pastores têm mobilizado os cristãos em vista da participação na própria celebração em Roma. Que essa união de oração aconteça na nossa atitude orante pessoal e, de modo mais comunitário, em todas as comunidades cristãs, nas assembleias eucarísticas dos próximos dias 3 e 4 de Novembro.Somos convidados à reflexão sobre a santidade de Dom Frei Bartolomeu dos Mártires, Pastor ao serviço da Igreja-comunhão. Tal constitui anuência à orientação pastoral do Santo Padre para o novo milénio, quando solicita empenho para que a Igreja se torne “casa” e “escola” de comunhão.

Lisboa, 27 de Outubro de 2001