Santa Catarina de Sena

Autor: Alice Curtayne;
tradução do inglês;
Edições Quadrante Lda, Coimbra, 1947;
Colecção: Rengum Christi, nº4;
287 páginas;

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Seminário de Aldeia Nova

in «O Facho», nº5, Outubro de 1947;

UM POUCO DE HISTÓRIA

A 2 de Julho de 1942 falecia em Aldeia-Nova, Olival, o Rev. Pe. Abel Ventura do Céu Faria, pároco da freguesia de Arrabal, Diocese de Leiria.

Há muito que este sacerdote pensava em oferecer a sua residência a uma Ordem Religiosa. Laços especiais o prendiam à Ordem de S. Domingos: era sobrinho de uma religiosa dominicana, que ainda vive, irmão de duas outras e do conhecido irmão converso Fr. José Maria, a quem um dia havemos de referir aqui demoradamente e tio de seis dos nossos religiosos. Já próximo do seu fim, quis ele ser admitido na Ordem Terceira e amortalhado com o Hábito Dominicano. Naturalmente foram estes os motivos que o determinaram a legar à Ordem Dominicana a sua casa de Aldeia Nova.

Este legado veio resolver um dos principais problemas que nos levavam a adiar a abertura do Seminário – falta de casa. Estudadas as possibilidades resolveu-se, no verão de 1943 aproveitar esta casa para instalação provisória do Seminário Dominicano. Fizeram-se algumas obras que alargaram a casa de modo a poder receber 40 alunos e a 13 de Janeiro de 944 procedia-se à inauguração do Seminário. A cerimónia não podia ser mais modesta: apenas assistiram o Revº P.e Vigário Provincial, Pe. Tomás Maria Videira, a quem se deve o principal desta obras os reverendos párocos vizinhos e o pessoal da casa. Benzeu-se a escultura do Imaculado coração de Maria, que devia ficar na Capela a presidir aos destinos do Seminário.

A casa andava ainda em obras, que o inverno ia retardando demais, e por isso nos primeiros dias os alunos ficaram mal instalados. Eram 12 ao todo; 7 no primeiro e 5 já mais adiantados, vindos do Seminário dos Padres do Espírito Santo. O corpo professoral era formado pelos 3 religiosos da casa.

No fim do primeiro ano escolar seguiram para Noviciado os dois alunos mais adiantados, Raul rolo e Manuel Pinto Ribeiro. São hoje religiosos professos e cursam Filosofia.

No segundo ano escolar 1944-1945 forma admitidos 15 alunos novo, que junto com os antigos formaram o número de 23. No fim deste ano seguiu para o noviciado o aluno Jaime Vilar, hoje religioso professo no curso de Filosofia.

No terceiro ano escolar 1945-1946 não recebemos alunos novos por falta de professores que assegurassem todas a aulas. Com a saída de alguns alunos o número baixou para 15 alunos.

Não houve saídas para o Noviciado.

No quarto ano escolar 1946-1947 recebemos 24 alunos novos, que juntos aos antigos formaram o número de 35.

No fim do ano saiu para o Noviciado o aluno Artur Lereno que viera da Escola Comercial.

O próximo ano ainda não sabemos ao certo o que será. Contamos com três alunos do 5º ano, que, se perseverarem, seguirão para o Noviciado no fim do ano; 6 do 4º ano, 20 do segundo ano e tal vez 13 do 1º ano.

A casa ficará mais cheia do que uma colmeia.

Eis, em breves traços, a origem e progresso do nosso Seminário. Tem havido muitas dificuldades, muitas horas de angustia, mas temos sentido também o amparo da nossa Padroeira e do nosso Glorioso Patriarca. Tem-nos animado a simpatia dos nossos amigos e de olhos no futuro estamos a continuar com a mesma coragem.