Estudos:

«De Braga a Roma: relíquias no caminho de D. Frei Bartolomeu dos Mártires», por Maria Fátima Castro, in revista «Via Spiritus»,vol. 8º, 2001, Faculda de de Letras da Universidade do Porto, Porto

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D. Frei Jorge de Santiago O.P.

(1552 – 1561)

3º bispo de Angra. Professo na Ordem dos Pregadores do Mosteiro de Santo Estêvão, de Salamanca (26.IV.1522), ingressando mais tarde no de S. Domingos, em Lisboa. Estudou na Universidade de Paris e foi laureado em Teologia, depois do que leccionou e pregou em Salamanca, mais tarde em Lisboa, nos dominicanos. Pregador régio, mestre teólogo, inquisidor do Santo Ofício (1540), o seu renome nas profundas áreas da Teologia levou D. João III a recomendá-lo para o Concílio de Trento, em 1545. Bispo de Angra, confirmado por bula de 24 de Agosto de 1552 do Papa Júlio III. Nos começos do ano de 1553 chegou D. Jorge à sua Diocese e em 1559, pela festa do Espírito Santo, promoveu na Sé de Angra o único Sínodo dos Açores, cujas constituições foram impressas em Lisboa nas oficinas de João Blavio de Colónia em 1560. Raros são os exemplares destas Constituições de que, por vezes, se tem tentado novas edições .
Deste prelado disse Fr. Luís de Sousa na História de S. Domingos: Posto em Angra achou aquela Ilha, e as mais mui depravadas em vicios, e algumas almas tão vencidas d'elles, que lhe foi necessario grande valor para as tornar em virtude.
Espírito moralizador e tenaz, enérgico, porventura em demasia, sofreria pela firmeza do seu carácter não poucos desgostos, correndo-se que também passara por não pequenas desconsiderações. É, por demais, documental esta passagem biográfica do sobredito Fr. Luis de Sousa: Era grande letrado pera conhecer suas obrigações, e grande animoso pera executar o que entendia. Achando alguns, que não sentião bem da fé, cubrio-os de ferros, e mandou-os entregar no carcere do Santo Officio em Lisboa. Apertou com outros com as armas espirituaes em todo rigor, até os meter no caminho dos mandamentos Divinos. Mas custou-lhe ver-se três vezes em fortes perigos. Huma querendo passar de huma Ilha pera outra, foi acometido de gente armada na embarcação, e pera se salvar não teve outre remédio, se não lançar-se ao mar, e valer-se dos braços, e nadar. Outra estando fazendo seu officio de Visitador lhe tirarão com uma espingarda, guardou-o Deos, e matarão hum sobrinho seu, que o acompanhava. Terceira vez tentarão matal-o em certa casa, onde tirava huma devaça: e acometendo as portas os culpados n'ella com armas, e determinação danada, valeo-lhe, que como andava acautelado, acharão- nas trancadas por dentro, e seguras. E com tudo ainda mostrarão descortezia, e poder diabolico, porque chegarão a entaipar o Prelado, ajuntando pedra, e cal, e cerrando-as de parede por fóra. Não faltou gente nobre, e de melhor animo, que lhe acudio" .
Varão de ilustração e superior craveira, distinguia-o a amizade do venerando arcebispo de Braga, D. Frei Bartolomeu dos Mártires, tido, ainda, na opinião de D. João Bermudes, Patriarca das Índias, que ao passar por Angra, fez dele o seguinte conceito: a tão bom prelado, não se deve chamar D. Jorge, mas S. Jorge .
Incrementou as vigararias: Os lugares que tivessem mais de 30 fogos, fossem considerados como vigararias e os de mais de 20 fogos, como curatos, dotados de sacrário e com faculdade de celebrarem as festas da Semana Santa, estabelecendo para o foro eclesiástico a hierarquia de vigário geral, visitador, ouvidor, promotor, escrivão, meirinho e porteiro; para a jurisdição paroquial, vigário, reitor, cura e tesoureiro; e, nas Colegiadas, beneficiado, ecónomo, prioste e apontador . Aumentou as ordinarias ao clero para que os sacerdotes fizessem face aos «preços que já tinham os mantimentos e fructos das ilhas" .
Desejou ainda melhorar a instrução sacerdotal ao clero, fundando em Angra um Convento da Ordem Dominicana, intento que se não logrou por haver falecido entretanto. Quando estivera no reino, aonde fora em negócios da diocese, consta que teria ajustado pera fundadores três Religiosos de boas letras, e bom pulpito, e todas as licenças necessárias .
Mas, faleceu em 26 de Outubro de 1561. Foi o primeiro bispo a finar-se na Diocese, sepultando-se na Sé Velha.
No túmulo deste bispo foi lavrada esta inscrição: Hic jacet Dominus Georgius a Sto Jacob Pastor Angrensis, inter oves suas, primus sepultus.

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/pub/11/noticia.asp?jornalid=11&noticiaid=7365