Frades dominicanos em 1861 (Lisboa)

Frades da Ordem dos pregadores – século XIX

 

  1. Joaquim de Santa Rosa de Lima Cardoso, da Ordem dos Pregadores, Cónego Honorário da Sé de Évora e Examinador Synodal, Praça de D. Pedro, 74, 2º andar;
  2. Joaquim Moreira Pinto, da Ordem dos Pregadores, Cónego do Cabido da Sé Patriarchal, Juiz Suplente da Secção Ponteficia de Recurso, Desembargador da Relação e Curia Patriarchal, Director do Seminário de Santarém;
  3. António Ozório, egresso da Ordem dos Pregadores, Rua da Magdalena, 12, 1º andar;
  4. Chistiano Aurelio de Pina, Confessor das Religiosas de Santa Joanna, rua de Santa Joanna, 209;
  5. D. João Xavier de Sousa Trindade, egresso da Ordem dos Pregadores, Bispo eleito de Malaca e Timor, T. da Pereira (à Graça);
  6. Francisco de Santa Anna Figueiredo, egresso da Ordem dos Pregadores, Rua de Santa Joanna, 245, 2º;
  7. José Joaquim de Santa Joanna, egresso da Ordem dos Pregadores, Rua de Santa Joanna, 209;
  8. Manuel Carlos Ozorio, egresso da Ordem dos Pregadores, Rua Oriental do Paraíso, 40;
  9. Rafael Gomes de Almeida, egresso da Ordem dos Pregadores, Capelão do 1º Regimento d’ Artilharia, Rua do Val de Santo António, 89;
  10. Ricardo do Nascimento Godinho, egresso da Ordem dos Pregadores, Rua de Santa Joanna, 259, 1º andar;
  11. Filisberto Augusto Guedes Coutinho, da Ordem dos Pregadores, Rua de S. Caetano, 50

 

In Almanache do Clero do Patriarchado para o ano de 1861, BMP – AS/9/92.

Igual aos dados referentes ao mesmo Almanaque para o ano de 1862.

Consideração das Lágrimas….

Consideração das lágrimas que a Virgem N. S. derramou na Paixão do seu Filho Santíssimo

imagem da edição de 1694

1ª edição: Impresso  por António Alz (Alvarez), Lisboa, 1646;

2ª edição:  Inserida no livro « Luz pera visitar as estações da via sacra….», Coimbra, na Officina de João Antunes, 1694.

3ª edição: Inserida no livro «Vida do Beato Henrique Suso..»,impresso na Officina de Miguel Rodrigues, Lisboa,1764.

4ª edição: Inserida na reedição do livro acima indicado: «Vida do Beato Henrique Suso….», Imprensa da Universidade, Coimbra, 1836;

5ª edição: Estudos de Castelo Branco, Castelo Branco, 1972;

Vida do Beato Henrique Suso

da Ordem dos Pregadores, traduzida de latim em português: Considerações das lágrimas de Nossa Senhora. E outras obras em prosa, e em verso, que andavão dispersas compostas por Padre Fr. Luís de Sousa, religioso da dita Ordem a que se ajuntou a Vida do mesmo autor , e o juízo sobre o seus Escritos

3ª edição em 1836  (1ª em 1643; 2º em 1764), Imprensa da Universidade, Coimbra;

Contêm:

*Vida do Padre Fr. Luís de Sousa e juízo sobre o seus escritos;

*Epístola do Beato Henrique Suso;

*Vida do Beato Henrique Suso;

*Considerações das lágrimas que a Virgem Nª Srª derramou na Sagrada Paixão;

*Várias composições do Padre Fr. Luís de Sousa;

A Igreja e Convento de Santa Rosa de Lima [em Guimarães]

«Em 1630, por iniciativa de algumas pessoas piedosas, e nomeadamente do padre frei Sebastião, prior em S. Domingos de Viana, procedeu-se em Guimarães à fundação de um recolhimento, onde pudessem viver honesta e clausuradamente algumas donzelas, na observância da regra do príncipe dos pregadores.

Para tal fim, e por meio de esmolas, compraram-se pequenas casa, e algumas terras, na rua Travessa, hoje de Santa Rosa de Lima: e aqui viveram em recolhimento, dedicado a esta santa virgem, algumas poucas senhoras, até que em 1680 obtiveram da confraria da Senhora da Graça, a qual era administradora do antigo hospital ou albergaria de S. Roque, a cedência das casa deste hospital, com a sua capela e hortas, tudo nesta mesma rua, para ali viverem colegialmente e em clausura, e professarem os três votos da sua religião.

Disto se lavrou escritura pública a 3 de Fevereiro do mesmo ano, com a aprovação do provedor da comarca, ficando os confrades com o encargo da administração dos bens da confraria e hospital, e elas com obrigação de comprarem casas, com capacidade bastante para o recolhimento dos pobres, no modo como este hospital estava obrigado.

Estas casas são as que estão hoje junto do convento, no lado sul, pois que nestas ainda actualmente existem dependências reservadas, para se dar agasalho aos passageiros pobres que ali queiram recolher-se, e ficar nelas por três dias; pertencendo-lhe também ainda outras casas, onde hoje está levantado o mirante do convento.

Ficando as recolhidas, em virtude deste contracto, senhoras do hospital, que existia de tempos imemoriais, tomaram nesse mesmo ano o hábito das mãos do prior de S. Domingos, de Guimarães: e em número de dez fizeram entrada solene na sua nova casa ou conservatório, acompanhadas por uma grande parte do povo desta antiga vila, magistrados régios e nobreza, havendo para tal fim precedido licença do Ordinário.

No ano seguinte, professaram perante o provincial frei Agostinho de S. Tomás, ratificando então expressamente os votos de obediência, pobreza e castidade, e jurando guardar perpétua clausura.

Constituídas assim em comunidade regular, ali viveram as freiras até o primeiro quartel do século passado, principiando então a desenvolver as obras do convento, até ali pequeno e pobre.

Em 1725, sendo prioresa a madre Catarina das Chagas, levantaram-se os muros da cerca, que custaram 644$475 réis e mandou-se tirar a planta do mosteiro; sendo encarregado deste serviço frei Pedro da Conceição, carmelita descalço, mestre arquitecto. A 31 de Março de 1727, ocupando o priorato a mesma senhora, lançou-se a primeira pedra ao primeiro dormitório da parte sul do convento. Esta pedra foi benzida e colocada pelo prior frei António de Santa Rosa no alicerce da parede do corpo do dormitório da parte do poente, 55 palmos do cunhal do sul para norte.

Com o andar dos tempos surgiram entre as religiosas e os confrades dificuldades e dúvidas, porque aquelas eram as senhoras do hospital e doutras casas, foreiras ao mesmo tempo, que haviam comprado para o alargamento do convento; e os confrades eram os administradores, como se contrataram na primeira escritura.

Neste estado de coisas alcançaram elas uma provisão del-rei D. João V, em 6 de Novembro de 1733, em consulta do desembargo do paço de 9 de Setembro do mesmo ano, para fazerem com os confrades um novo contrato: e em virtude de tal provisão, e estando de acordo ambas as partes, entre elas se lavrou escritura pública pelo tabelião Brás Lopes, a 14 de Setembro do ano seguinte, sendo prioresa soror Mariana da Encarnação: e nela se assentou, que as freiras tomassem, como administradoras, conta de tudo o que pertencia ao hospital de S. Roque, e confraria da Senhora da Graça; tomando a seu cargo todas as obrigações, encargos e legados a que esta confraria estava sujeita.

Desta escritura se vê, que o hospital constava duma casa, com quatro alcovas para os pobres, e uma chaminé para o lume; e que nele havia uma campainha, com a qual o hospitaleiro era obrigado a encomendar as almas todos os sábados à noite, nos sítios do costume; e finalmente que aos confrades, administradores do hospital, se davam dez tostões para uma merenda em todos os anos. Crescendo pelo correr dos tempos o número das freiras, e com estas as rendas da casa e a necessidade de a ampliar ainda mais, compraram as religiosas novos prédios para o lado norte, em 1737; e deram então ao seu convento a extensão e forma em que hoje se vê.

Em Agosto de 1733 estava feito já o dormitório grande sobre o refeitório e cozinha, o dormitório pequeno sobre a casa do forno, sacristia nova até à altura da fresta, importando toda esta obra 4:793$939 réis: e em 1734 estava a igreja concluída de pedra, custando com o mirante 4:636$355 réis. As obras de madeira na mesma igreja foram feitas em 1736, sendo prioresa a madre Mariana da Encarnação, e o retábulo do altar-mor, debaixo do risco do mestre portuense José de Afonseca Lima, custou 650$000 réis em 1741, sendo prioresa a madre Maria de Jesus, que em 1745 mandou fazer igualmente os altares laterais.

Em 1737 obtiveram do pontífice Clemente XII a graça de usar de véu preto e capa da mesma cor, e passar para a segunda regra do patriarca S. Domingos, sujeitas sempre no espiritual à jurisdição do provincial da sua Ordem. Todavia tal jurisdição passou em 1747 para os arcebispos de Braga, por determinação do arcebispo D. José de Bragança, quando se achava de visita aqui em Guimarães.

Em 1776, recorreram as freiras ao pontífice Pio VI, para lhes confirmar a graça do véu preto, com as condições do primeiro Breve; autorizando-lhes a mudança para a jurisdição dos arcebispos, e ser o número das professas elevado a quarenta. E sendo-lhes conferidas tais graças, receberam outras noviças o véu com toda a solenidade, das mãos do vigário geral, por ordem do arcebispo D. Gaspar de Bragança, a 24 de Junho de 1777.

Este convento que hoje conta apenas três freiras professas, era muito procurado noutro tempo; sendo sempre muito conhecido pelo excelente doce de fruta, e mimosos trabalhos em linha, que ali se manufacturavam e exportavam para fora do reino, principalmente para a Inglaterra e Brasil, onde eram muito apreciados: e por isso constituíam em épocas passadas, um dos ramos mais produtivos e notáveis da indústria vimaranense.»

Padre António José Ferreira Caldas, in «Guimarães: Apontamentos para a sua História», 1881;

IGREJA E CONVENTO DE S. DOMINGOS [de Guimarães]

«Em Dezembro de 1270, quatro religiosos dominicos – entre os quais o prior de S. Domingos do Porto – dirigiram-se a Guimarães, com o fim de levantarem aqui um convento da sua Ordem: e reunidos para tal fim com as pessoas mais notáveis da vila, na capela de S. Tiago da Praça, ali lhes foi concedida gostosamente a licença para a fundação projectada, demarcando-se-lhe um local, fora e perto da torre da Senhora da Piedade, na embocadura da rua da Rainha para a praça do Toural.

Por meio de esmolas compraram os frades algumas casas e quintas e principiando a obra em 1271, no reinado de Afonso III, tinha-na concluído oito anos depois, poderosamente coadjuvados por João Pires Arruda, pelo cónego Pero Soares e sua irmã, por Gonçalo Gonçalves, cavaleiro da Ordem da Rosa, e sua mulher, e ainda pelas piedosas senhoras Orraca Anes, Orraca Manteigada, e D. Maria Monja no hospital de Chavo.

Neste convento assistiram os filhos de Domingos de Gusmão até 1323 – ano em que el-rei D. Diniz o mandara derrubar pelo mesmo motivo, que demos a respeito do de S. Francisco.

Contrariados por este revés, só mais tarde é que os frades – marcado novo local para nova edificação, poucos passos ao poente do antigo convento – principiaram as obras, concorrendo muito para o custeamento delas o arcebispo de Braga, D. Lourenço, que do seu bolso fez o coro, a sacristia e grande parte da igreja, – mandando colocar as suas armas no óculo sobre a capela-mor – o fidalgo João Afonso de Briteiros, que mandou levantar o lanço da parede sul da mesma igreja, a porta principal e outras oficinas, um bispo de Burgos, que fundou a livraria; não devendo omitir-se no catálogo dos beneméritos desta casa a D. Maria de Berredo, mulher de Rui Vaz Pereira, que igualmente concorreu com valiosos donativos.

Esta casa foi por largos anos um seminário de varões ilustres, e nela se guarda ainda religiosamente num pequeno túmulo, na capela lateral do lado do Evangelho, a ossada do beato Lourenço Mendes, o frade virtuoso e benemérito, que à custa de esmolas e sacrifícios construíra a ponte de Cavês sobre o Tâmega, no lugar que divide as terras do Minho das de Trás-os-Montes.

A igreja de três naves e dez altares laterais – uma das mais espaçosas e elegantes de Guimarães – passou no decorrer dos tempos por várias reformas; e assim a actual porta principal foi feita em 1770 por voto de Rodrigo de Sousa da Silva Alcoforado, como reza o dístico da mesma porta. Antes disto, em 1744, quando se tratava doutra restauração da igreja, resolvera a câmara e a nobreza, em sessão de 3 de Março, dar para o retábulo da capela-mor 400$000 réis tirados do cabeção da sisa. Finalmente em 1874, à custa da Ordem Terceira e irmandades ali erectas, reformou-se de novo toda a igreja com pinturas, douramentos e estuques, sendo depois benzida e restituída ao culto público a 21 de Fevereiro de 1879.

Depois da extinção das Ordens religiosas esta igreja foi cedida à Ordem Terceira de S. Domingos pela rainha D. Maria II em 24 de Janeiro de 1851, e dado o convento à câmara por decreto de 25 de Abril de 1842: tendo servido em 1839 de quartel militar aos oficiais do 18, serve actualmente de tribunal judicial desta comarca.

Chama aqui a atenção dos visitantes a famosa arcaria gótica do claustro, hoje a ameaçar ruína, pela demolição quase total do convento; e as imagens em tamanho natural, dos patriarcas S. Francisco e S. Domingos, na capela-mor. Era também muito notável o relicário da sacristia, hoje infelizmente profanado e roubado.

Ultimamente foi esta igreja enriquecida com mais uma excelente imagem em tamanho natural, do SS. Coração de Jesus, que se fica venerando na capela lateral, ao norte do arco cruzeiro. Foi dádiva de D. Maria José da Silva Costa; esculturada em Vila Nova de Gaia, por João de Afonseca Lapa e benzida pelo cardeal bispo do Porto, D. Américo a 11 de Agosto de 1880. Expôs-se aqui à veneração pública a 5 de Dezembro deste mesmo ano, e tem agora uma confraria, que no dia 31 de Julho de 1881 inaugurou solenissimamente uma escola de instrução primária para meninos.

Padre António José Ferreira Caldas,  in «Guimarães, apontamentos para a sua história», 1881;

Incendio

Porto, 1 de Dezembro

No dia 28 do passado exhalaram os rebeldes a sua indignação pela vergonhosa sopreza que em seu campo fizeram as nossas tropas; e procuraram vingar a injuria recebida á força de bombas e ballas, disparadas contra a cidade. O convento de S. Domingos foi incendiado por uma das bombas; e é de notar que uma grande parte do dia e da noite, em quanto os rebeldes viram pelo fumo e clarão das labaredas que o incêndio augmentava, não cessaram as suas baterias de atirar contra o edifício que ardia, a fim de poderem melhor empregar seus tiros na gente que suppunham empregada em apagar as chammas.
Se alguma prova faltasse para demonstrar a ferocidade e a infâmia dos chefes do exercito usurpador, este procedimento seria bastante para convencer o mundo de que é impossivel haver homens mais perversos e mais indignos de que os que servem D. Miguel. Os defensores do throno e do altar lançando bombas em conventos e templos, e procurando matar a gente que acode a apagar o fogo ateado nelles! Salvou-se a Igreja, e a parte do edifício contíguo a ella. Acudiu a companhia dos fogos, que sem medo algum dos tiros se portou com admirável actividade, fazendo todos os indivíduos que compõem vivas diligencias por atalhar o progresso do incêndio. Esta companhia, ainda que menos numerosa do que aprece ser necessário nas circunstancias actuaes, supprio a falta de gente pela diligencias , e zelo com que se houve. Consta-nos que o Juiz de Fora appareceu a tempo, assim como o Coronel commandante do deposito militar e outras pessoas, movidas pelo desejo de concorrer para tão louvável fim, como o de salvar um bello edifício e um templo magnifico da voracidade dos chammas.
O grande numero de bombas, algumas das quaes caíram no próprio logar aonde o fogo ardia, não fez desviar por um instante os homens que trabalhavam, nem os que presidiam aos trabalhos: pode dizer-se com verdade que ninguém reparava em seu próprio perigo, dando unicamente attenção ao perigo commum, o da perda do edifício.
A bomba que fez levantar este incêndio caiu em um armazém de linho. E como a casa estava fechada, e nem o dono da fazenda, nem alguma pessoa interessada appareceo a tempo, houveo-o de pegar o fogo: não succederia assim acudindo-se com as providencias necessárias, como se tem feito em outras partes, em que se hão tornado inúteis os esforços dos rebeldes para incendiar a cidade. Esperamos que haja toda a vigilância necessária para atalhar similhantes males.
Hontem renovaram os rebeldes o bombardeamento que durou activo desde as 8 e meia da manhã até ás cinco da tarde. Lançaram na cidade grandíssimo número de projecteis, mas não nos consta que estes fizessem damno extraordinário: nem sabemos de mortes por elles causadas, á excepção de um pobre Gallego, creado do convento de S. Domingos!
O povo do Porto está inteiramente familirisado com estes horrores. Em quanto da outra banda do rio trovejavam as baterias dos inimigos, ia gente pelas ruas cantando o hynno constitucional; e de quando em quando praguejava contra o rebeldes que tão deshumanos como poltrões, só sabem guerrear os seus adversários incendiando os templos, e as casas dos habitantes inermes. Esta é a sublime strategia dos Sampayos, Barbacenas, e Champbells. Essa gente é uma companhia de assassinos: os verdadeiros militares são humanos, são generosos, e horrorisam-se á simples ideia de uma destruição inútil de que são victimas aquelles; que nem tomam armas, nem podem acautellar-se dos estragos desta guerra traidora e deshumana, – a guerra que tão indignos e fracos inimigos estão fazendo.
Fartem-se, que breve chegará o tempo da justíssima vingança. Não são os soldados os criminosos de tantos horrores. Os chefes, os monstros, e os demais traidores, que rodeam o usurpador, são os que hãode pagar os damnos feitos em propriedades e em vidas que se tem perdido no Porto.

In «Chronica Constitucional do Porto», de 1 de Dezembro de 1832

N.B. em o Nº 120 da Chonica demos uma breve relação do incêndio ateado no convento de S. Domingos desta cidade por uma bomba que nelles caiu em o dia 28 do mez passado. Referimos o acontecimento não particularisando circunstancias; e fallamos de pessoas que acudiram com socorros e providencias sem nomear individualmente mãos do que uma authoridade civil e outra militar. Não se creia que assim o fizemos de propósito. Hoje sabemos que os Snrs. Tenente Coronel Pimentel, que serve de Major da Praça, Coronel Serra, commandante do Corpo de engenheiros, Major Pinto, chefe da policia militar, Major Athyde do Estado-major, Capitão Coito, Tenente Infante de Lacerda, Ajudante Heitor, o commandante da companhia das Bombas e seus officiaes, um sargento e alguns soldados se acharam no logar do incêndio, e activamente trabalharam para salvar o edifício, e valiosa propriedade que nelle se achava, o que me grande parte conseguiram. Esta menção é devida; e se a não fizemos, foi porque nos faltou uma relação exacta do successo; e não porque nos aprouvesse omittir os nomes dos officiaes conhecidos por seu patriotismo, que uns por dever e outros por mero zelo do bem publico, se houveram como cumpria a homens do seu carácter. O nosso desejo é fazer justiça á verdade: será injusto quem do contrario nos tachar.

In «Chronica Constitucional do Porto», de 10 de Dezembro de 1832

Irmandade de Nª Srª do Rosário e S. Domingos de Gusmão (1882)

Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário erecta na Igreja Conventual das Donas de Corpus Christi de Vila Nova de Gaya. 1882.

Fins – Capítulo I, Artº 2:

«Os fins d’esta Irmandade são promover a devoção do rosário de Maria Santíssima e prestar-lhe o devido culto, para maior glória de Deus e honra de sua Santíssima Mai, sufragar as almas dos seus confrades, exercer actos de beneficência e caridade logo que os seus rendimentos o permitiam, pela instituição de uma creche onde sejam recolhidos os filhos menores de cinco anos de pessoas que se dedicam ao trabalho, mediante uma pequena remuneração, creação d’um asylo para invalidos e um hospital para tratamento dos irmãos pobres e de escolas de ensino elementar para menores de ambos os sexos e finalmente a conservação e melhoramento do templo onde existe a irmandade, e do local que pelas senhoras religiosas lhe fôr destinando para guardar as alfais e paramentos que lhe pertençam.

Vila Nova de Gaya, 14 de Janeiro de 1882.

Existe outra versão, reformada, de 20 de Julho de 1913, por força da Lei de Separação