Da Confraria do Senhor Jesus, no Convento S. Domingos no Porto

Assistência em S. Domingos às Festas do Senhor Jesus

Pelos anos de 14… existia no mosteiro de S. Domingos uma confraria, denominada do Senhor Jesus Crucificado, a cuja imagem, e acerta água que os Frades benziam, se atribuíam grandes milagres;  e com grande afluência de confrades, e devotos, crescia diariamente as riquezas da mesma Confraria, pelas esmolas dos fiéis, que naquela água benzida pelos Rev.dos entendiam encontrar o remédio mais eficaz a seus males.

O zêlo, porém, do Cabido da Sé desta Cidade do Porto, fundado em motivos, e no principal de serem supersticiosos os ritos desta bênção da água milagrosa, proposta em Demanda contra os mesmos Padres de S. Domingos, e confrades da dia Confraria, lhes grangeou sentença de anulação e extinção da mesma Instituição e seus Ritos como supersticiosos, e Bula do Papa—em que igualmente é condenada a mesma Confraria.

Isto mesmo se prova do Acordão que se lê no Livro das Vereações de 1448, a f. 34 v. no qual se acha a memória de ter a Câmara pedido ao Cabido conservasse no altar do Senhor Jesus de S. Domingos o Crucifixo que ali se venera – e debaixo de cuja invocação existira até então a Confraria que fôra abolida em consequência da demanda com os Frades – e de ter o Cabido acedido ao Requerimento da Câmara;  e acordaram que tudo quanto dissesse respeito à Confraria se tirasse, ficando simplesmente a Imagem; com a claúsula porém de que a mesma  Câmara, em tempo algum, consentisse aos Frades ou qualquer outra pessoa o renovar da dita Confraria.

Eis aqui a origem, a meu vêr, desta assistência, fundada nesta devoção à imagem, que ficou preservada naquele altar e de algum modo pertencendo à Câmara, que assim salvou a sua existência no mesmo Altar; mas ela se verifica ainda:

Do Livro das Vereações de 1452 a f.29, se vê ter havido Sentença do Papa sobre a mesma Confraria, e Carta D’El-Rei para que se publicasse a mesma Bula ou Sentença do Santo Padre, dirigida aos cidadãos e povo da Cidade do Porto, a-fim de ser restabelecida a mesma Confraria de Nosso Senhor Jesus Cristo, no mosteiro de S. Domingos, assim como é em Lisboa, Évora e Coimbra;  e assentar-se em Câmara se elegessem pelos cidadãos, homens-bons, e povo, depois da pregação em que se deviam publicar as ditas Letras Apostólicas e Carta Régia, os oficiais da mesma Confraria, a saber: Mordomo, por um ano, e Escrivão; o que não obstante continua ainda a mesma questão entre Cabido, Frades e Câmara sobre a Confraria, a fls 31 e 33.

E a f.39 se acha Registo de uma Carta de El-Rei à Câmara em que lhe diz escreve ao Cabido, sobre a Confraria, segundo a Câmara lhe pedira, e não escreve ao Papa ao mesmo respeito por não crer que ele haja de vir contra aquilo que tem mandado. Data, em Évora, 5 de Abril de 1453.

No ano de 1559 a 21 de Janeiro, em Câmara, se fez a Eleição dos Mordomos da Confraria de Jesus do Mosteiro de S. Domingos, por pertencer à Mesa da Câmara desta cidade – f.4 v. – Livor das Vereacções 1559.

A mesma Eleição consta do Livro das Vereacções de 1561 a f.4; não só dos Mordomos para a Confraria de Jesus, mas também para S. Lázaro.

Ultimamente, em Vereacção de 26 de Janeiro de 1617, a f.18 do livro delas, se acha o Assento por que, junto o Senado e Procuradores do Povo, acordaram de tomar mais em particular à sua conta, em nome desta Cidade, a Santa Imagem do Senhor Jesus do Mosteiro de S. Domingos, e que a Confraria do dito Senhor Jesus, tão antiga nesta Cidade, se convertesse em Irmandade de 72 Irmãos, número dos Discípulos de Cristo, e no qual número não entraria homem de Nação, nem algum Confrade de outra Irmandade desta Cidade, excepto da Misericórdia e Nossa Senhora do Rosário;  e que o Juiz da dita Irmandade seria sempre o Vereador mais velho, e outro-sim se fariam Procissões em todos os segundos Domingos de cada mês; e que dos Irmãos escolherá em cada ano o Prior do Convento, com os Juízes que pelo tempo forem, dois Mordomos, um Tesoureiro, e Escrivão, que serão confirmados peça Câmara.

Assentaram mais, que a Confraria de S. Tomás de Aquino andasse dali em diante anexa à dita Irmandade, e mandariam dizer cada semana uma Missa com cera particular, ficando obrigados a fazer ao mesmo Santo, no seu dia, a Festa possível;  e que, feitos os Estatutos e aprovados em Câmara, se pediria deles confirmação a sua Magestade.

In Origem das Procissões da Cidade do Porto, pelo Padre Luís de Sousa Couto, pag.s 81-83, CMP, Porto, 1971

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Confraria São Pedro Martir (ou de Verona)

Uma estudo realizado por Paulo Drumond Braga: «Uma Confraria da Inquisição: a irmandade de S. Pedro Mártir»

Confraria do Santíssimo Rosário da Virgem Maria, instituída no Convento de São Bento de Avé Maria (Porto)

(1) (…) Confraria do Santissimo Rosário da Virgem Maria. Foi a de mais luxo e de mais veneração da communidade.

Instituiu-se em 1740, sendo abadessa D. Ignez Maria do Amaral Barreto, e foi aprovada em 20 de Maio do mesmo ano. Vejamos a acta da sua opulenta instalação: Continuar a ler

Irmandade de Nª Srª do Rosário e S. Domingos de Gusmão (1882)

Estatutos da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário erecta na Igreja Conventual das Donas de Corpus Christi de Vila Nova de Gaya. 1882.

Fins – Capítulo I, Artº 2:

«Os fins d’esta Irmandade são promover a devoção do rosário de Maria Santíssima e prestar-lhe o devido culto, para maior glória de Deus e honra de sua Santíssima Mai, sufragar as almas dos seus confrades, exercer actos de beneficência e caridade logo que os seus rendimentos o permitiam, pela instituição de uma creche onde sejam recolhidos os filhos menores de cinco anos de pessoas que se dedicam ao trabalho, mediante uma pequena remuneração, creação d’um asylo para invalidos e um hospital para tratamento dos irmãos pobres e de escolas de ensino elementar para menores de ambos os sexos e finalmente a conservação e melhoramento do templo onde existe a irmandade, e do local que pelas senhoras religiosas lhe fôr destinando para guardar as alfais e paramentos que lhe pertençam.

Vila Nova de Gaya, 14 de Janeiro de 1882.

Existe outra versão, reformada, de 20 de Julho de 1913, por força da Lei de Separação

Manual do Apostolado do Rosário

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Autores: Fr. José Carlos Vaz Lucas e Fr. Domingos Nunes Martins
80 páginas, 1ª Edição, Fátima, 2007
Edição do Secretariado Nacional do Rosário, Padres Dominicanos, Rua de S. Domingos s/n 2495-431 Fátima
Impressão: Indugráfica, Lda, Fátima

Ordens e irmandades em Guimarães (1879)

Em «Apontamentos para a sua História – ORDENS, CONFRARIAS, IRMANDADES E ASSOCIAÇÕES», pelo Padre António José Ferreira Caldas, 2.ª Edição, Guimarães, CMG/SMS, 1996, parte I, pp. 80/90, são referidas as diferentes Ordens, confrarias e irmandades existentes na cidade de Guimarães, em 1879, entre as quais:

«Ordem terceira de S. Domingos, na sua capela; 2:511 associados; alfaias 3:200$000; fundado: em inscrições 300$000, papéis de crédito 18:774$855; bens imóveis 5:000$000, capital mutuado 30:130$000, dívidas activas 61:327$490.»

«Irmandade de Nossa Senhora do Terço, em S. Domingos; 62 associados; fundada a 8 de Janeiro de 1672; alfaias 20$000; capital 4:259$977.»

distribuindo a primeira: «Ordem Terceira de S. Domingos 10 mantas aos pobres da freguesia de S. Paio no dia 2 de Novembro. Instituição do rev. Francisco Luís Fernandes. 10$000 réis às velhas do albergue de Santa Margarida – sendo 5$000 réis para elas e 5$000 réis para a fábrica do albergue. Instituição do mesmo. 5 broas de pão a pobres terceiros, distribuídas à porta do hospital em quinta-feira santa. Instituição do rev. António José Lisbão. 5$000 réis aos pobres terceiros, distribuídos em segunda-feira santa. Instituição do padre Francisco António Peixoto de Lima. 5$000 réis a 20 terceiros pobres, segundo a instituição de D. Maria Rita de Freitas do Amaral e Melo. Ensino primário a 5 meninas órfãs, da freguesia da Senhora da Oliveira. Instituído pela mesma.»

Confraria S. Gonçalo de Amarante na Sé do Porto

Estatutos Confraria S. Gonçalo Sé do Porto

Ivo Carneiro de SOUSA – Os estatutos da Confraria de S. Gonçalo de Amarante da Sé do Porto (1768)[S.l. : s.n.], 1996Sep. de: Rev. O Tripeiro, 1996, pp. 25-31CDU: 255(469.121)