D. Domingos Frutuoso e a Ordem Dominicana – 2

Ainda professor no Seminário de Santarém entrou para a Ordem Terceira recebendo como padroeiro o Vel. Barttolomeu dos Mártires.

A sua simpatia para com a Ordem deve datar da estadia no Seminário de Santarém de um Padre Dominicano da Província de Tolosa, que ali fora fazer alguns estudos sobre a vida e morte do Bto. Bernardo de Morlans OP e seus dois pequenos discípulos.

Mas, quem exerceu influência decisiva foi o P. Hyckey OP do Corpo Santo de Lisboa. Encontravam-se com frequência. Num destes encontros o P. Hynckey vendo as boas disposições do P. Manuel Frutuoso sugeriu-lhe a vida religiosa. A resposta foi negativa. No entanto o P. Hynckey pede-lhe que pense no assunto e reflita mais.

O P. Frutuoso antes de sair de Lisboa foi orar junto ao túmulo do Vel. Luís de Granada que se conserva no adro da sacristia de S. Domingos de Lisboa. Durante a oração recebeu as luzes desejadas. Levantou-se convencido de que Deus o chamava à Ordem de S. Domingos.

Daí a poucos meses dirigia-se para a Província Dominicana de Tolosa por indicação do P. Hynckey que também estivera algum tempo naquela Província. Era o primeiro português que tomava hábito desde a extinção das Ordens Religiosas em 1834 e tinha a santa ambição de restaurar a de S. Domingos em Portugal.  Deram-lhe o nome de Domingos Maria. Teve a boa sorte de estar em contacto com homens iminentes, teólgos e oradores, muitos deles discípulos imediatos do P. Lacordaire, o que contribuiu para a sua boa formação intelectual e espiritual.

Do convento de Stª Maria Madelna de Saint Maximin Var onde tomou o hábito e fez o noviciado guardou sempre gratas recordações.

Em 1931 ainda escrevia: «...a todos e essa casa de Stª Maria Madalena tenho muito cá dentro da alma…. a Stª Maria Madalena também me lembrará muito, muito…». Os estudos da Província de Tolosoa eram na cidade do mesmo nome e para lá se dirigiu o P. Fr. Domingos que, apesar de ser já sacerdote e ter os seus estudos completos, devia, segundo a Regra da Ordem, fazer durante quatro anos os estudos de Teologia. Sob a orientação de bons mestres começou o estudo da Suma de S. tomás. A doutrina do Angélico Doutor embebeu profundamente o seu espírito e durante o seu longo apostolado fez sentir a sua luminosa influência.

A saúde só lhe permitiu estudar três anos. O médico aconselhou o regresso aos ares pátrios em 1897.

Instalou-se no Corpo Santo, residência dos PP. Dominicanos Irlandeses em Lisboa, dedicando-se inteiramente à salvação das almas. Tinha grandes dotes oratórios. Já em França os seus companheiros diziam por graça: «está ali o P. Lacordaire de Portugal» ao que ele respondia pronto: «que o P. Lacordaire vos perdoe a comparação».

Muitas cidades e vilas do País o ouviram. A sua exposição era ao mesmo tempo doutrinal e simples. Por isso agradava a todas as classes.

Em 1909 abriu com o P. Raimundo Castano, espanhol, uma casa em Viana do Castelo. A revolução de 1910 veio dispersá-los. O P. Frutuoso andou durante mais de dois anos a peregrinar por vários conventos da Bélgica, França e e Espanha regressando a Portugal em 1913. Residiu de novo por algum tempo no Corpo Santo e depois numa casa à Rua Saraiva de Carvalho em Lisboa, dedicando-se como d’antes ao ministério da pregação e da direcção espiritual.

Em 1915-1916 chegavam mais dois dominicanos portugueses: o P. Bernardo Lopes e o P. José Lourenço. Este fizera o noviciado no Saulchoir, Bélgica, onde se refugiara o noviciado da Província de Paris depois das expulsões das Ordens Religiosas em 1905. O outro fez o noviciado em La Quercia, Itália onde se instalara na mesma altura o noviciado de Saint Maximin da Província de Tolosa, e os estudos em Roma, no Colégio Angélico.

Depois de os ter algum tempo consigo, o P. Domingos julgou mais oportuno abrir uma residência, embora muito provisória, no Porto, em 1916, continuando ele em Lisboa.

No mesmo ano, por instigação do P. José Lourenço começou a mandar alguns alunos para a escola apostólica de Mejorada, Valladolid, Espanha, pertencente à Província de Filipinas.

Arranjando madrinhas para alguns e auxiliado pelos outros dois Padres conseguiu manter até 1920 sete estudantes dos quais só dois chegaram a ser ordenados.

Depois de nomeado Bispo em 1920 já não pode auxiliar materialmente a Restauração. No entanto ainda fez um grande favor em aceitar nos seus Seminários enquanto não se abriu a Escola Apostólica, quatro sobrinhos do irmão José Maria, cuja pensão este pagava com a intenção de entrarem para a Ordem como sucedeu.

in «O Facho», nº28, Setembro de 1949

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