IGREJA E CONVENTO DE S. DOMINGOS [de Guimarães]

«Em Dezembro de 1270, quatro religiosos dominicos – entre os quais o prior de S. Domingos do Porto – dirigiram-se a Guimarães, com o fim de levantarem aqui um convento da sua Ordem: e reunidos para tal fim com as pessoas mais notáveis da vila, na capela de S. Tiago da Praça, ali lhes foi concedida gostosamente a licença para a fundação projectada, demarcando-se-lhe um local, fora e perto da torre da Senhora da Piedade, na embocadura da rua da Rainha para a praça do Toural.

Por meio de esmolas compraram os frades algumas casas e quintas e principiando a obra em 1271, no reinado de Afonso III, tinha-na concluído oito anos depois, poderosamente coadjuvados por João Pires Arruda, pelo cónego Pero Soares e sua irmã, por Gonçalo Gonçalves, cavaleiro da Ordem da Rosa, e sua mulher, e ainda pelas piedosas senhoras Orraca Anes, Orraca Manteigada, e D. Maria Monja no hospital de Chavo.

Neste convento assistiram os filhos de Domingos de Gusmão até 1323 – ano em que el-rei D. Diniz o mandara derrubar pelo mesmo motivo, que demos a respeito do de S. Francisco.

Contrariados por este revés, só mais tarde é que os frades – marcado novo local para nova edificação, poucos passos ao poente do antigo convento – principiaram as obras, concorrendo muito para o custeamento delas o arcebispo de Braga, D. Lourenço, que do seu bolso fez o coro, a sacristia e grande parte da igreja, – mandando colocar as suas armas no óculo sobre a capela-mor – o fidalgo João Afonso de Briteiros, que mandou levantar o lanço da parede sul da mesma igreja, a porta principal e outras oficinas, um bispo de Burgos, que fundou a livraria; não devendo omitir-se no catálogo dos beneméritos desta casa a D. Maria de Berredo, mulher de Rui Vaz Pereira, que igualmente concorreu com valiosos donativos.

Esta casa foi por largos anos um seminário de varões ilustres, e nela se guarda ainda religiosamente num pequeno túmulo, na capela lateral do lado do Evangelho, a ossada do beato Lourenço Mendes, o frade virtuoso e benemérito, que à custa de esmolas e sacrifícios construíra a ponte de Cavês sobre o Tâmega, no lugar que divide as terras do Minho das de Trás-os-Montes.

A igreja de três naves e dez altares laterais – uma das mais espaçosas e elegantes de Guimarães – passou no decorrer dos tempos por várias reformas; e assim a actual porta principal foi feita em 1770 por voto de Rodrigo de Sousa da Silva Alcoforado, como reza o dístico da mesma porta. Antes disto, em 1744, quando se tratava doutra restauração da igreja, resolvera a câmara e a nobreza, em sessão de 3 de Março, dar para o retábulo da capela-mor 400$000 réis tirados do cabeção da sisa. Finalmente em 1874, à custa da Ordem Terceira e irmandades ali erectas, reformou-se de novo toda a igreja com pinturas, douramentos e estuques, sendo depois benzida e restituída ao culto público a 21 de Fevereiro de 1879.

Depois da extinção das Ordens religiosas esta igreja foi cedida à Ordem Terceira de S. Domingos pela rainha D. Maria II em 24 de Janeiro de 1851, e dado o convento à câmara por decreto de 25 de Abril de 1842: tendo servido em 1839 de quartel militar aos oficiais do 18, serve actualmente de tribunal judicial desta comarca.

Chama aqui a atenção dos visitantes a famosa arcaria gótica do claustro, hoje a ameaçar ruína, pela demolição quase total do convento; e as imagens em tamanho natural, dos patriarcas S. Francisco e S. Domingos, na capela-mor. Era também muito notável o relicário da sacristia, hoje infelizmente profanado e roubado.

Ultimamente foi esta igreja enriquecida com mais uma excelente imagem em tamanho natural, do SS. Coração de Jesus, que se fica venerando na capela lateral, ao norte do arco cruzeiro. Foi dádiva de D. Maria José da Silva Costa; esculturada em Vila Nova de Gaia, por João de Afonseca Lapa e benzida pelo cardeal bispo do Porto, D. Américo a 11 de Agosto de 1880. Expôs-se aqui à veneração pública a 5 de Dezembro deste mesmo ano, e tem agora uma confraria, que no dia 31 de Julho de 1881 inaugurou solenissimamente uma escola de instrução primária para meninos.

Padre António José Ferreira Caldas,  in «Guimarães, apontamentos para a sua história», 1881;

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Uma resposta

  1. gostava de saber a data da construção da igreja de
    S.Sebastião em Guimarães ou igreja das dominicas
    att
    js

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