Bonaventura García de Paredes

bonaventura.jpg Nascido em Castanedos de Valdés, na Província das Astúrias, em 16 de Abril de 1866. Falecido em Madrid a 14 de Agosto de 1936.

Foi um religioso espanhol da Ordem dos Pregadores. Os seus pais, Serapião Garcia de Paredes e Maria Gallasa procuraram inculcar-lhe uma boa e sólida educação. Boaventura depressa revelou sinais de vocação eclesiástica.

Por ocasião duma missão pregada numa povoação vizinha por dois padres dominicanos,Boaventura afeiçoou-se à Ordem de S. Domingos, Um dos pregadores, o Padre Sacrest, tendo sido enviado a Castanedo três anos a seguir à festa da Confraria do Rosário, que se celebrava na segunda-feira de Páscoa, Boaventura já com 13 anos de idade, foi-lhe apresentado e pediu a graça de ser recebido na Ordem. Por conselho do Padre ficou ainda na casa paterna frequentando durante um ano a Escola de Don António Francos Pertierra, pároco do lugar. Depois foi admitido na Escola Apostólica de Córias pertencente à Província de Espanha. Após dois anos de estudos com óptimos resultados, os seus mestres julgaram-no habilitado para ser recebido ao noviciado. Os Superiores ante a sua delicada compleição física hesitaram e adiaram a admissão. O jovem Boaventura para seguir a sua vocação foi bater às portas do Convento de Ocana, Toledo, e pertencente à Província Dominicana das Filipinas. Tomou o hábito em 30 de Agosto de 1883, habitando durante o noviciado a cela que fora do mártir Melchior Garcia Sampedro. Em 31 de Agosto do ano seguinte fazia os votos simples e em 1887 consagrava-se plenamente a Deus pelos votos solenes. Em Ocana fez os estudos filosóficos e no colégio de Santo Tomás de Ávila os teológicos. Antes porém de os terminar foi mandado frequentar as Universidades de Salamanca, Valência e Madrid, tendo sido promovido a bacharel de direito civil na primeira, e alcançado na última o doutoramento em Filosofia em Belas Letras e em Direito civil. Com tão óptima preparação foi enviado para Manila, Filipinas, onde teve ainda de fazer o exame de Leitor e no ano seguinte (1900) era-lhe confiado o posto de Lente de Direito civil na Universidade dominicana daquela cidade.

Em 1901 voltava à Europa como Reitor do Colégio Teológico de Ávila. Em pouco tempo ganhou a estima das autoridades civis e eclesiásticas e as grandes famílias procuravam-no para solucionar os litígios domésticos. Foi durante algum tempo professor de direito canónico no Seminário Conciliar de Ávila. A sua grande ciência jurídica permitiu-lhe defender brilhantemente algumas causas da Ordem nos tribunais civis. Em 1903 funda com a aprovação dos superiores, para a educação da juventude, o Colégio de Santa Maria de Nieva, na Província de Segóvia, que sob a sua direcção conheceu uma grande prosperidade.

O Provincial

Em Janeiro de 1910 é eleito Prior do Convento de Ocana e em Maio do mesmo ano Provincial da Província das Filipinas. Esta Província é essencialmente missionária, tendo a seu cargo numerosos territórios do Tonquim, China, Formosa, Japão, etc. Boaventura Garcia de Paredes visitou essas missões mais que uma vez, aumentando as esmolas, mandou construir hospitais, colégios para dos dois sexos, etc. Favoreceu a divisão do território em novas Prefeituras, oferecendo-as a religiosos doutras Províncias. Fundou uma revista missionária, Misiones Dominicanes que ainda se publica em Ávila. Em Manila, sede da Província, também se fez sentir o impulso do Padre Paredes. Em 1911, por ocasião do terceiro centenário da fundação da Universidade de Santo Tomás, tendo adquirido um terreno com 50.000 m2, colocou a primeira pedra de novos e mais grandiosos edifícios para a mesma universidade. No mesmo ano funda uma missão e toma o encargo de algumas paróquias no Distrito de Tangipahoa nos Estados Unidos e funda o Colégio Teológico de Rosaryville, Para o recrutamento dos religiosos funda a Escola Apostólica de La Mejorada, perto de Olmedo, Valhadolid, que ainda conta com mais de cem alunos. O cargo de Provincial dura na Ordem quatro anos. O Padre Paredes, porém por vontade expressa do Papa Pio X continuou no seu posto para maior bem da Província. Em 1917 retira-se para Madrid onde funda o Convento de Torrijos e de que foi Superior durante nove anos. Inúmeras comunidades religiosas e leigos, entre eles D. António Maura, recorriam às suas luzes e seguiam a sua direcção espiritual.

O Mestre Geral

Ocupado neste ministério foi surpreendido pela delegação do Capítulo Geral de Ocana que o veio chamar em 22 de Maio de 1926 para a suprema magistratura da Ordem dos Pregadores. Prostrado diante dos Padres Capitulares pediu, suplicou, que não lhe impusessem fardo tão pesado. Não foi aceite o seu pedido e ele submeteu-se. Logo no início do seu curto generalato escreveu à Ordem uma belíssima carta sobre o flagelo do individualismo. Preparou a reforma das Constituições das Irmãs de clausura segundo as directrizes do Novo Código da Igreja e a redacção definitiva das nossas; confirmou S. Luís Beltrão, Padroeiro dos Noviciados Dominicanos. Como o Colégio Angélico de Roma, fundado pelo Venerável Padre Cormier fosse já insuficiente – frequentam-no perto de mil alunos eclesiásticos de todas as nações – comprou ao Governo italiano o nosso antigo convento de S. Domingos e Sixto, que com as adaptações que fizeram ficou um magnifico edifício para a Universidade Dominicana de Roma. Visitou muitas Províncias da Ordem fomentando por toda a parte a disciplina religiosa.

Porém alguma contestação e problemas com a Cúria, bem como o seu estado de saúde, sempre precária que se agravou nos fins de 1928 e princípios de 1929, levaram-no a pedir a demissão à Santa Sé. Por carta de 30 de Março de 1929 do Secretário de Estado, o Papa Pio XI aceitava a demissão e elogiava publicamente os seus altos serviços prestados à Ordem.

 

A Ordem dos Pregadores e Portugal tem uma grande dívida de gratidão para com o Padre Paredes. Declarou logo de início que queria restaurar mesmo à custa de grandes sacrifícios «Esta província de tão grandes gloriosas tradições». Sob o seu impulso o Padre José Lourenço funda em 1927 a Escola Apostólica de Luso e a Província de Tolosa envia o Padre Jougla, nomeado Vigário do Mestre Geral em Portugal. O Padre Paredes apoia-o com toda a sua autoridade e declara-lhe expressamente que lhe enviará os Padres que ele julgar necessário. O Padre Jougla nunca se atreveu a usar deste poder com medo de abusar, ou antes, melindrar outras Províncias.

Depois da demissão até à morte

Retirou-se para o Convento de Ocana e entregou-se de novo à direcção das almas, sobretudo religiosas, quer em Ocana quer em Madrid. Assistiu aos Capítulos Gerais de Roma em 1929, de Sauchoir (Bélgica) em 1932 e de Roma em 1935 ”dando sempre um belo exemplo de simplicidade e de magnidade”. O início da guerra civil espanhola, em 1936 veio encontrá-lo em Ocana. Julgou mais prudente refugiar-se em Madrid, mas, apesar de todas as precauções, foi capturado por brigadas populares republicanas no dia 11 de Agosto. Soube-se que foi fuzilado no dia seguinte. “Recebeu com grande serenidade os que pouco depois seriam seus verdugos, dizendo-lhes que o seu único crime era de ser religioso”. Ao seu lado foi encontrado o rosário e o breviário.

Foi Beatificado por Bento XVI no dia 28 de Outubro de 2007.

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