D. FREI ALEIXO DE MIRANDA HENRIQUES OP

[Fol.] 257 a 258

Este nosso Bispo D. Frei Aleixo Miranda Henriques foi filho de Henrique Henriques e de D. Maria Landroby; nascendo na Cidade e Corte de Lisboa logo na adolescência teve entrada no Real Convento de S. Domingos de Bemfica da Ordem Religioza dos Pregadores, e n´elle professou o sagrado instituto a 9 de Junho de 1710; ahi estudou com afinco e aproveitamento as sciencias escolasticas, e desejando mostrar se ao mundo como util e á Caza a que pertencia no conceito dos seus conhecimentos, e aos Confrades e povo seu predilecto amigo doutrinando-os nas disciplinas que aprendera, pedio a necessaria licença aos Superiores e passou, a Goa, onde alcançou com as lições e exemplos ali dados, honroza opiniaõ o seu saber e metodo, e por isso o apresentaraõ na Faculdade de Theologia.

Passados alguns annos nas funncções de Mestre voltou ao Reino de Portugal, e seguidamente foi encarregado de ler na Cadeira de Moral do Real Collegio de Nossa Senhora da Escada em Lisboa, estabelecido junto ao adro do Convento de S. Domingos, e tendo se entaõ em grande conta os seus merecimentos e dotes naturaes, os Religiozos Dominicanos o elegeraõ em 1728 Prior do Mosteiro de Bemfica aonde havia desoito annos antes tinha feito a profissaõ. Acabado o respectivo triennio em que mostrou constantemente a sua habitual sisudez, optima direcçaõ dos negocios e superior integencia em materias governativas, passou a ser Vigario das Religiozas da Ordem de S. Domingos recolhidas no Convento de S. João Baptista de setubal.

Completando esta missaõ regressou de novo á corte e foi immediatamente nomeado Consultor da Bulla da Santa Cruzada, porem o exercicio deste emprego naõ o embaraçou de prosseguir na predica, a ual naõ só conforme a instituição Monachal que abraçara era obrigado a frequentar, mas tambem pela inclinaçaõ eu tinha ao pulpito n´elle era assiduo demais obtendo pela pratica e continuoestudo das materias e preceitos oratorios o tornar-se excellente pelo estilo e doutrina que ensinava, sendo os creditos geraes aduiridos na cadeira da verdade, que o promoveraõ aos mais altos cargos Ecclesiasticos onde podia chegar hum Religiozo.

Sabe se eu no anno de 1757 foi D. Frei Aleixo nomeado Governaor do arcebispado de Braga regendo-o ate á posse tomada por D. Gaspar filho d´El Rei D. Joaõ 5º, eu se segrou no dia 2 de Julho de 1758, donde passou a Bispo de Miranda sendo trasnferidopara a Mitra Portucalense a 5 de Março do anoo de 1770; recebeo a confirmaçaõ da Curia em Lisboa no dia 1 de Setembro tomando posse da Dioceze em seu nome o seu Mordomo, o Bispo Eleito sucessor de Lamego aos 18 d’ esse mez. Fez a sua entrada solenne a 4 de Novembro do mesmo anno que era hum Domingo; depois de premanecer vaga quazi quatro annos sucessivos, a qual deixou logo vacante por morrer em Maio de 1771: o seu cadaver foi encerrado num tumulo muito rico fabricado de marmore preto, pouzando sobre quatro leons de marmore branco soberbamente trabalhados, cuja obra mandaraõ fazer os frades Dominicanos desta Cidade para o collocarem na sua Capella mór do lado do Evangelho, onde esteve e eu proprio vi esse monumento ate ao ultimo incendio do Convento durante o Cerco do Porto, sendo a Igreja demolida muito depois para dar logar á abertura da Rua Ferreira Borges. Tenho summo pezar de naõ saber aonde para este monumento erguido á memoria de D. Frei Aleixo de Miranda Henriues, apra obter da inscripçaõ lavrada em letras de bronze na frente do tumulo, alguns esclarecimentos mais ácerca da sua vida.

Apesar de governar este Dioceze menos de que um anno inteiro, em taõ pouco tempo grangeou a estima particular de seus Diocezanos, e especialmente a veneraçaõ de seus Confrades e mais Clero Regular e Secular do Bispado Portuense, aos quaes, se vivera, por ser bondozo e sabio, haveria por certo fazer-se mais lembrado ainda, pelos testemunhos de seu governo lhes legasse, pois durante a adminsitraçaõ interina do Arcebispado Bracharense, em todo o periodo eu possuio a Mitra de Miranda semrpe se fez notavel pela sua natural afabilidade, religiozo espirito e vastos conhecimentos, respeitando-o pelas letras os maiores sabios d´essa epocha.

Como eximio orador sagrado he certissimo escrevesse muitos sermões cheios de eleuencia e doutrina, mas d´elles apenas há noticia de publicarem dous, unicos estampados viraõ a luz publica, porque a modestia do Pregador ou a ambiçaõ da sua Ordem Religioza impedio que fossem bens de todos, o que queria guardar como thezouro: esses saõ os seguintes
Sermaõ da Canonizaçaõ de S. Peregrino Laziosi da sagrada Ordem dos Servitas, prégado no solemnissimo outavario com eu S. M. Eu deos guarde ordenou se festejasse a canonisaçaõ do mesmo no Convento Real de Santo Antaõ desta Corte.
Sermaõ da Canonisaçaõ de Santa Ignez de Monte Policiano da Sagrada Ordem dos Pregadores pregado no solemnissimo outavario com que os Religiozos de s. Domingos desta Corte festejaraõ a canonisaçaõ da mesa santa.

In «Apontamentos para a verdadeira historia antiga e moderna da Cidade do Porto», por Henrique Duarte e Sousa Reis, Manuscritos Inéditos da BPMP, II série – 5,III Volume, Porto, 1992

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