Padre José Lourenço

P. José Lourenço T.O.P.
(in “Actas do Capítulo Provincial de 1973”, pg. 71-74, publicado na revista “Rosário de Maria“, nº446, Setembro-Outubro de 1987;)

O Padre José Lourenço nasceu em Mexilhoeira Grande, Algarve, a 23 de Dezembro de 1875, sendo filho de Manuel Lourenço e de Fabiana Rosa. Entrou no Seminário de faro em 1890 onde concluiu os estudos em 1897. Ordenado presbítero um ano depois, a 19 de Junho de 1898, começou a exercer o apostolado paroquial, primeiro na paróquia de S. Sebastião de Loulé, como coadjutor (13-7-1898), depois na de Portimão, também como coadjutor (16-7-1899), na de Bordeira, como pároco encomendado (16-7-1900), onde permaneceu até Agosto de 1911.Sacerdote zeloso, com desejo sincero de perfeição, dinâmico, dedicou-se sobretudo à evangelização dos fiéis, insistindo na catequese e na formação dos catequistas. Com o gosto e facilidade para a pregação, exercia esse ministério mesmo fora da sua freguesia.

 

Numa peregrinação a Lourdes (Agosto de 1910), surgiu-lhe a ideia de se fazer dominicano. Contactou com os Padres Dominicanos irlandeses do Corpo Santo, em Lisboa, que o remeteram para o único Padre Dominicano português, Fr. Domingos Maria Frutuoso. Este orientou-o para o Saulchoir, na Bélgica, onde os Dominicanos da Província de Paris, exilados de França, tinham o noviciado. Tomou o hábito em 30 de Agosto de 1911, recebendo o nome de Fr. Gonçalo, em honra do nosso bem-aventurado S. Gonçalo de Amarante. Feita a profissão, um ano depois, foi enviado a Roma para refazer os estudos teológicos no Colégio “Angélicum”, onde se encontrava já outro sacerdote português, Fr. Bernardo Lopes, que fizera o seu noviciado em Fiésole (Florença-Itália), com os Padres da Província de Toulouse, também exilados do seu país.Terminados os estudos em princípios de 1916, regressa a Portugal, chegando a Lisboa em 2 de Março de 1916.

 

Enviado, um mês depois com o P. Lopes, para o Porto, depressa se adapta ao meio e começa o apostolado da Palavra de Deus sob todas as suas formas: conferências, sermões, tríduos, missões, retiros, etc. Também começa a publicar alguns folhetos ou livros sobre vários assuntos. Mostra uma predilecção pelo ensino da catequese e pela formação dos catequistas. Funda uma revista de direcção espiritual, que ele só aguenta durante alguns anos, “FLORES ESPIRITUAIS”.

 

Funda também a obra dos retiros fechados, que, para a época, representa muita coragem.De 1922 a 1926, a pedido do bispo de Coimbra, ensina o dogma no Seminário diocesano e, ao mesmo tempo, é director espiritual dos alunos de filosofia e de teologia.

 

Nas férias (Natal, Páscoa e Verão), dedica-se ao ministério da Palavra dentro fora da diocese. Em toda essa actividade uma ideia forte o norteia: não só viver o ideal dominicano – contemplari et contemplata aliis tradere – mas aumentar o número de dominicanos, restaurando a Ordem em Portugal, reduzida a dois padres e a um ou outro irmãos cooperador e, esses mesmos, vivendo dispersos.

 

Desde que chegara a Portugal, começara a enviar alunos para a Escola Apostólica dos Padres da província do SS. Rosário das Filipinas, situada em La Mejorada (Valhadolid-Espanha). Dos nove rapazinhos que ele mandou, dois chegaram ao sacedócio. Em 1927 abre um Seminário Apostólico Dominicano no Luso e começa logo a receber alunos, cujo ensino ele vai orientando, ao mesmo tempo que exerce o ministério da Palavra.

Assim, encontrará outros alunos e poderá sustentar o Seminário.

De Roma enviavam, entretanto, para Vigário Geral dos Dominicanos em Portugal, o P. Fr. Pio Jougla. Este foi tomando conta do Seminário e o P. José Lourenço começa a residir em Lisboa, como capelão das nossas Irmãs do Asilo das Cegas (1929-1932), em seguida em Mogofores, para onde se mudara o nosso Seminário (1932-1933) e finalmente em Azurara, Vila do Conde, como capelão das Monjas dominicanas (Abril de 1934-Outubro de 1935).

Durante esse tempo, sempre que lhe foi possível, dedicou-se ao ministério apostólico com bastante intensidade. Continuou a publicar livros de divulgação de doutrina e dirigiu durante três anos a revista “PALAVRAS DE VIDA”.Sentindo dificuldades na ida comum – ele que vivera quase sempre só, antes e depois de entrar na Ordem – julgou melhor pedir um rescrito, primeiro de exclaustração (12-8-1936) e, depois de secularização (1939), incardinando-se na diocese de Évora.

Durante três anos percorreu a diocese pregando e organizando a catequese. Pregava também retiros mensais ao clero e, por vezes, substituía professores no Seminário.Vendo que a sua diocese de origem tinha menos clero, sem deixar de ficar incardinado na diocese de Évora, pelo menos ainda durante alguns anos, pediu para ir para o Algarve em 1940. Residindo sucessivamente em Faro, Tavira, Loulé e Albufeira, dedico-se, como até ali e enquanto teve forças, ao ministério da Palavra, sobretudo por meio da catequese. Teve a alegria de assistir à sagração, em 1953, dum dos seus primeiros alunos do Seminário do Luso e de o ter como seu bispo, no Algarve. D. Fr. Francisco Rendeiro, chamou o seu antigo mestre para junto de si, no Seminário de faro, quando o viu alquebrado de forças em 1965.

Foi no Seminário de Faro que o P. José Lourenço veio a falecer em 15 de Janeiro de 1973. O venerando prelado, D. Florentino de Andrade e Silva, que presidiu às exéquias, definiu-o como um apaixonado da evangelização e da comunicação da Palavra de Deus. Assistiram bastante fiéis, representantes de Ordens Religiosas, seminaristas e clero diocesano. Tomaram parte também na concelebração o prior provincial dos Dominicanos em Portugal Fr. Miguel Adriano Martins e um dos alunos que o P. José Lourenço mandara para a Escola Apostólica de La Mejorada (Espanha) em 1919, Fr. Tomás Videira, OP.

O P. José Lourenço manteve-se sempre amigo da Ordem. Quis entrar (1943) para a Ordem Terceira, ficando com o nome de Irmão Lourenço. Considerava-se como irmão da Ordem, a quem continuou a ajudar com muitas doações. Mostrou desejo de viver e, sobretudo, de morrer entre os” seus irmãos”, mas quando se lhe ofereceu essa oportunidade já a não pôde aproveitar.

Notas suplementares:

O P. José Lourenço foi um grande impulsionador e fundador das primeiras Fraternidades Leigas de São Domingos no ínicio do século XX. Logo após a sua instalação na cidade do Porto (1916), e certamente por fruto das suas pregações, um grupo de senhoras é admitida na Ordem dos Pregadores no dia 6 de Janeiro de 1917, na igreja de Cedofeita. Esta Fraternidade, incialmente Feminina, prosseguiu a sua missão e veio a adoptar o nome de Fraternidade de Nossa Senhora do Rosário, após a mudança dos frades dominicanos para a Rua do Rosário, em 1935. Em 1989 fundiu-se com a Fraternidade de Cristo-Rei, dando origem à actual Fraternidade de São Domingos no Porto (Nª Srª do Rosário e Cristo-Rei).Também as Fraternidades de Válega (1918), Elvas (1925), entre outras, devem a sua origem á acção pregadora do P. José Lourenço.

por Gabriel Ferreira da Silva – Setembro de 2003

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