A Carta de D. António Ferreira Gomes a Salazar e o meu apoio (3)

porJoaquim Faria (Frei João de Oliveira Faria, OP)
Respondi em 9-3-59:- Rev.mo Padre Vigário: Como já disse, logo que recebi a sua ordem, mandei suspender o trabalho de brochura do livro. E, quando o livreiro passou depois por Lisboa, frisei-lhe bem que eu já não tinha nada que ver com o livro. Sobre o que ele tenha feito em cumprimento desta decisão, não sei que responsabilidade ele possa ter. eu já não tenho nenhuma.E agora repito o que já disse a V. Revª, ao Ex.mo Prelado, ao Em.mo Cardeal Patriarca e ao Ex.mo Núncio Apostólico: que estou pronto a cumprir à risca e prontamente todas as sanções eclesiásticas e civis, sejam elas quais forem, e que tenho toda a responsabilidade no caso; mas que procedi assim porque não pude conformar-me com ver o Ex.mo Prelado tão gravemente caluniado sem um protesto de ninguém. Esperei vários meses a ver se alguém mais autorizado e competente que eu o fazia. Vendo que a situação de injustiça se tornava definitiva, decidi-me por minha conta e risco, único meio de o conseguir sem envolver a responsabilidade dos meus Superiores. Se eu lhes submetesse o manuscrito, de duas uma: Ou eles não aprovavam e lá ficava para sempre uma calúnia a triunfar (o que seria a nossa maior covardia) ou, se aprovassem, lá tinham de assumir a responsabilidade quando chegasse a inquirição por parte do Poder civil, com todos os inconvenientes.Lamento que isto tenha desagradado aos Superiores e peço perdão por esse desagrado; mas não pude resignar-me com o triunfo de tais infâmias às quais se deu a mais larga publicidade.Dito isto pela terceira vez, resta-me ficar pronto para as sanções eclesiásticas e civis, mas não gostaria de andar sempre a mexer no assunto, pois eu nada disse ainda, nem direi, para me defender ou mitigar a minha culpa. Isto digo como seu súbdito, submisso à autoridade, sua e da lei. Mas, como simples pessoa humana, devo confessar que m causa terrível impressão este facto: Um livro, que é um acervo de gravíssimas injúrias contra um Bispo, teve toda a publicidade e apoio; mas um pobre folheto a vingá-las já está proibido por Vª Revª! São os poderes da lei, e eu não os discuto; mas, lei que, neste caso, impôe friamente o silêncio a um grito de protesto justíssimo contra um escândalo nacional. Grito que saiu de mim, mas que é também de imensas pessoas que o sentem como eu.Isto é apenas a expressão dum doloroso desapontamento., não por mim mas pelo facto de esta decisão impedir o desafrontamento do Ex.mo Prelado, causando alegria ao adversário. Confesso que isto me deixa pertubado porque não é castigo para mim mas para o nome do Prelado que assim continua escandalosamente poluído. E nós, a “Ordem da Verdade”, assistindo ao triunfo duma gigantesca injustiça!Respeitosamente: Frei João de Oliveira Faria (Joaquim Faria)
Felizmente, todos estes entraves (por parte das Autoridades religiosas e civis) à difusão do opúsculo surgiram já tarde, quando ele já estava bem difundido em duas edições. E assim, já não vieram a tempo de impedir aquela pública refutação dos erros e afrontas de Manuel Anselmo. Por isso dizia há pouco a revista Reflexão Cristã (Setembro-Dezembro de 1985) pela pena de Frei Bento Domingues O.P.: “O Bispo do Porto com poucas solidariedades públicas pôde contar. Só Frei João de Oliveira (assinado com o nome civil de Joaquim Faria) respondeu aos ataques de Manuel Anselmo num ópusculo dactilografado Uma “Carta Vermelha” do Senhor Bispo do Porto?

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