A Carta de D. António Ferreira Gomes a Salazar e o meu apoio (2)

porJoaquim Faria (Frei João de Oliveira Faria, OP)
Então os meus escritos foram perseguidos. Cedo começou a caça da Pide como de perdigueiros a uma lebre. Para lhes trocar as voltas, muito concorreram com tacto e coragem duas pessoas do Porto que não ouso nomear aqui por não saber se lhes agrada: Um Médico ilustre e um ilustre Dominicano. E também o então Gerente da Livraria Nelita, do Porto, que divulgou o livro, e que já em 1950 me informava: – “Há dias tive cá uma “visita” muito demorada que resolveu tudo e levou alguns livros de Joaquim Faria e de Sebastião Soares de Rezende”.Constou então também que Salazar enviou um emissário ao Convento dominicano de Fátima para indagar junto do Superior da Ordem se o livro era da exclusiva responsabilidade do autor ou se envolvia também a responsabilidade da Ordem. Respondido que o autor era o único responsável, só terá havido mais isto: uma insinuação de S. Exª (que não ordem terminante) para que fosse posto termo à difusão do livro. Por isso, os Superiores se viram em apertos e assim se compreende as posições que julgaram dever tomar para embargar a venda do livro. Vejamos quais foram:
Em carta de 1/3/59 escrevia-me de Fátima para Lisboa o então Vigário Geral(1) -“Na nossa conversa em Janeiro passado, pedi-lhe que suspendesse, ao menos provisóriamente, a venda do seu opúsculo. antes de lhe dar a decisão definitiva, quis rezar, reflectir e tomar conselho. Estive com S. Em.cia o Cardeal Patriarca(2) que me queria pôr ao corrente da conversa que teve consigo e dar-me o seu parecer. Também a Nunciatura estava ao corrente da questão.As suas disposições de respeitosa submissão para aceitar o veredicto e as sanções, como mas manisfestou, muito me facilitam uma intervenção que me custa. Não duvido das nobres intenções que o levaram a fazer esta publicação. Só quero ater-me ao ponto de vista disciplinar. Por mais elevados que fossem os seus motivos, V. não estava justificado a publicar esse escrito, mesmo policopiado, sem as autorizações explícitas das Autoridades da Ordem e diocesanas. Pelas presentes, confirmo, pois, definitivamente o que eu lhe tinha pedido provisóriamente: Que ponha termo à venda e propaganda do seu opúsculo”.

(1) Fr. Luis Marie Sylvian O.P.(2) Cardeal Cerejeira – Notas de GFS

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: