Frei Estevão – I

Relatório das Fraternidades Leigas de São Domingos (Ordem Terceira) apresentado ao Capítulo Provincial, em 8 de Julho de 1985, pelo Pe. Frei Estevão Fonseca de Faria, ex-Promotor

I
Quando, em 24 de Abril de 1949, os Superiores de então – Revmº Padre Gaudralt e seu Conselho, me nomearam Promotor da Ordem Terceira em Portugal, quem estava à frente da mesma era o Senhor Frei Gil Maria Nunes Alferes.
Entregou-me numa folha de papel de carta, o nome das localidades onde já estava implantada a Ordem Terceira. O Frei Gil também recebeu dos seus antecessores o que estes haviam feito. Esses antecessores foram os Senhores Padre José Lourenço, Padre Vicente Moreira, Padre Bartolomeu Martins e Padre Tomás Videira.
Dessa lista constavam, por ordem alfabética, os seguintes centros: Avanca – Bunheiro – Coimbra – Elvas (masculina) – Elvas (feminina) – Guarda – Ovar – Ourém – Parede – Pico de Regalados – Pinheiro da Bemposta – Porto (Nª Senhora do Rosário) – Régua – Válega.

Comecei logo a visitar estes centros à medida que ia podendo, pois nomearam-me também Superior da Casa do Porto, com o encargo de edificar uma igreja e convento na zona de Marechal Gomes da Costa.
Os nosso Padres estavam numa casa alugada, no centro da cidade, desde 1937, à Rua Clemente Menéres, 88, Porto.
O Senhor Bispo de então, D. Agostinho de Sousa, quando o fui cumprimentar, em 7 de março de 1949, pediu-me encarecidamente que fôssemos quanto antes para Gomes da Costa. Comecei a trabalhar, à procura de terreno. Fizeram-me promessas, e muitas pessoas mostraram-se desejosas de ver a obra começada naquela zona carenciada de assistência espiritual.

Em 14 de Agosto de 1949 mudámo-nos para uma casa alugada, à Rua Afonso de Albuquerque, por Esc. 1.500$00 de renda mensal. Pagámos o primeiro mês. Depois, a nossa Irmã Lia Madeira tomou a iniciativa de percorrer toda a zona residencial, casa por casa, para angariar donativos mensais, de modo a pagar aos Padres Dominicanos o aluguel da casa, luz, água e telefone. E conseguiu-o. Nessa árdua tarefa auxiliaram-na, uma vez por outra, duas Senhoras.
Essa mesma irmã encarregou-se de fazer a mudança dos Padres para a nova casa. Numa carrinha que alugou, transportou os móveis e demais pertences que havia na antiga residência em que estávamos, comprou móveis que faziam falta, roupas de cama, cortinas, etc. Preparou os quartos dos religiosos, e com uma sua empregada encerou as dependências do andar térreo, a capela, o altar e os bancos. O SSmº Sacramento que foi levado m procissão desde a capela do Conde de Vizela, deu entrada numa casa toda asseada.

Em 1950, graças ao meu grande Amigo Professor Doutor Luís de Pina, Catedrático da Universidade do Porto e então Presidente da Câmara da cidade, morador perto da nossa casa, conseguiu que a Câmara nos desse um terreno na zona pretendida. Em Setembro de 1950 fiz a escritura do terreno. Dois arquitectos fizeram as plantas, que foram aprovadas pelas entidades respectivas e, em 28 de Agosto de 1951, festa de Stº Agostinho, foi benzida a primeira pedra, pelo então Bispo Auxiliar do Porto, D. Policarpo da Costa Vaz. Compareceram ao acto muitas pessoas da zona.

Apesar de todos estes trabalhos, iniciei as visitas aos Centros da Ordem Terceira que então havia; procurei animá-los e a organizá-los conforme a Regra em vigor. Visitava-os uma e duas vezes por ano, alguns até ainda mais. Fundei outras Fraternidades nas cidades e na província à medida que era aí chamado a pregar. Além das fundações que consegui fazer em todo o Portugal continental, fundei uma em Ponta Delgada (S. Miguel, Açores), e outra em Lourenço Marques (Moçambique).

No Continente, foram as seguintes:
Aveiro – Braga (Instituto Monsenhor Airosa) –Castelo Branco – Estremoz – Fátima – Favaios – Ferreira do Zézere (ainda em formação) – Fontelo de S. Domingos – Fundão – Guimarães (ainda em formação) – Idanha-a-Nova – Lisboa – Longa (Tabuaço) – Medrões (´Regua) – Mós (Douro) – olival (Vila Nova de Ourém) – Porto (Cristo-Rei) – Póvoa de Varzim – Serrinha (Lixa) Sertã – Silves – Viana do Castelo – Vila Nova de Ourém.

NOTA IMPORTANTE – Quando fui nomeado Promotor, em 1949, havia uma boa Fraternidade de Seminaristas teólogos no Seminário Conciliar de Braga. Comecei a visitá-la logo naquele ano. Em geral, fazia-o três vezes anualmente. Admiti dezenas de Seminaristas, alguns dos quais fazem, hoje, parte da Hierarquia em Portugal: O Senhor Cardeal Patriarca, D. António Ribeiro; os dois Bispos Auxiliares de Braga, D. Joaquim Gonçalves e D. Carlos Francisco Martins Pinheiro, este recentemente sagrado; e o Bispo Auxiliar do Porto, D. José Augusto Pedreira.
Fundei, mais tarde, outras duas Fraternidades de Seminaristas, por ocasião de Retiros que lhes fui pregar: nos seminários Maiores de Coimbra e de Vila Real. Igualmente, admiti alguns Seminaristas no Seminário de Leiria, em fundar Fraternidade.

Apesar de algumas dessas Fraternidades Leigas não darem sinais de vida, de não responderem às circulares do Secretariado Nacional, ainda por lá se encontram alguns elementos válidos, que valeria a pena procurar animar. Por exemplo: Guarda – Mascarenhas – Régua – Sertã – Olival.
Extinguiram-se definitivamente: Barcelos – Bustelo (Chaves) – Cabeça Santa – Leiria – Batalha – Freixo de Espada à Cinta – Lourenço Marques – Portalegre – Vila Meã.
A Fraternidade do Hospital da Parede foi integrada na da Vila da Parede, em 1984.

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