Convento do Porto – 1

CONVENTO DO PORTO (I)
in “Tripeiro”, V série, ano IV, nº4, Agosto de 1948

“Do Mosteiro de s. Domingos no Porto – 1239-1832) Nótulas inéditas sobre a sua exinção em 1832, por C. da Cunha Moutinho

(…) Logo que foi divulgado no Porto o próximo desembarque do exército “libertador”, a grande maioria (porque os liberais também tiveram, embora escassos, frades partidários), a grande maioria dos monjes portugueses, alarmados, alucinados, debandaram dos seus mosteiros, sumiram-se, por aqui e por ali, furtando-se à perseguição, à fúria dos libertadores. Houve conventos que ficaram quase despovoados, como o de S. Domingos e de S. Francisco, do Porto. Deste desapareceram 24, ficando só 9 frades animosos. Conventos que assim, manifestaram a sua hostilidade à causa liberal, foram considerados como abandonados e depois encerrados, sem qualquer contemplação, ordenando D. Pedro que neles se procedesse ao devido arrolamento geral dos seus bens móveis e prediais. Foi o que se deu no Mosteiro portuense de S. Domingos e em outros, por determinação de 10 de Outubro de 1832. As corporações claustrais, tidas por abandonadas, não aguardaram sequer o encerramento geral (clausura masculina), decretado em 30 de Maio de 1834.
Qual era o paradeiro dos dominicanos portuenses? Vai saber-se, por uma exposição ou relato de alguns deles; contudo, como essa informação é já de Janeiro de 1833, entendo que a devo proceder pela breve notícia do arrolamento geral do Mosteiro (…)
Vimos que a comunidade foi considerada abandonada, à chegada do exército liberal ao Porto, em Julho de 1832… Pelo Pe. Rebelo da Costa(1) sabemos que eram 40 os frades domínicos portuenses em 1788. Ora, as tropas de D. Pedro só encontraram no edífico conventual 6 professos: Fr. João Baptista Pinto, Fr. Domingos de Mesquita, Fr. Bernardino Peixoto, Fr. Francisco Pinto (este só ausente desde Agosto, a banhos em Leça), Fr. António de S. Tomás Sousa, Fr. CornélioVicente Odéa (sic) e conversos ou não professos!
Os restantes haviam-se escapulido, tresmalhados, por aqui e por ali, por casas de amigos e familiares, ou eram transfugas, bandeados para o campo miguleista.
Porém, depois, sentindo perdida a sua causa, ainda tentaram justificar o abandono do Mosteiro, em carta (2), datada de 3 de Janeiro de 1833, para a Comissão Administrativa dos Conventos Abandonados.
Tudo foi baldado. O vetusto Mosteiro dominicano do Porto, com a provecta idade de 593 anos, tinha baqueado na voragem revolucionária, em holocausto à ordem nova que despontava.

Notas:
(1)Padre Agostinho Rebelo da Costa: Descrip. Top. e Hist. da Cidade do Porto, p. 111.
(2)Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Processo nº326

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